EUA estudam caução de US$ 100 mil para alguns pedidos de Green Card no exterior

O governo dos Estados Unidos estuda exigir uma caução de cerca de US$ 100 mil de alguns estrangeiros que solicitam vistos de imigrante em consulados americanos. A medida ainda está em desenvolvimento e não existe cobrança geral para pedir ou acelerar um Green Card.
A proposta foi revelada pelo The Wall Street Journal em 15 de julho de 2026. Segundo pessoas ouvidas pelo jornal, o Departamento de Estado considera iniciar o programa em um grupo limitado de países. O governo ainda não divulgou quais nacionalidades ou categorias de imigração poderiam ser incluídas.
Caução não seria uma taxa de imigração
A caução funcionaria como uma garantia financeira, e não como uma taxa definitivamente incorporada ao custo do processo. O valor discutido poderia ficar acima ou abaixo de US$ 100 mil, conforme o perfil do solicitante e a versão final da política.
Fontes citadas pelo jornal disseram que o dinheiro poderia ser devolvido depois que o residente permanente obtivesse a cidadania americana. Essa condição ainda não foi publicada em regra oficial e pode mudar antes de qualquer implementação.
Parentes também poderiam depositar a caução em nome do imigrante. O Departamento de Estado afirmou ao jornal que estuda usar autoridades previstas na legislação para exigir garantias de determinados solicitantes e demonstrar que eles possuem recursos para se sustentar nos Estados Unidos.
Como a proposta se relaciona à public charge
A discussão está ligada à regra de public charge, termo usado para avaliar se uma pessoa provavelmente dependerá principalmente de determinados benefícios públicos para sua subsistência.
O Departamento de Estado informou em fevereiro de 2026 que oficiais consulares devem analisar fatores financeiros e pessoais ao decidir se um solicitante pode ser considerado inadmissível por esse motivo.
A legislação migratória já prevê a possibilidade de cauções em casos de inadmissibilidade por public charge. Isso não significa que a quantia de US$ 100 mil já esteja sendo exigida. O manual do USCIS descreve a análise de public charge, mas não estabelece atualmente uma cobrança automática nesse valor para todos os solicitantes.
O que brasileiros devem fazer agora
Brasileiros não precisam enviar dinheiro, reservar US$ 100 mil ou contratar intermediários para pagar essa suposta caução. A reportagem não confirma que o Brasil participará do possível programa piloto.
Solicitantes devem acompanhar comunicações do consulado responsável pelo caso, do Departamento de Estado e do Federal Register, diário oficial do governo americano. Qualquer exigência válida deverá aparecer em instrução oficial, com critérios, alcance, valor e forma de pagamento.
Mensagens que prometam isenção, antecipação do Green Card ou pagamento da caução por meio de contas particulares devem ser tratadas como possível fraude. Uma proposta divulgada pela imprensa não cria obrigação financeira.
Quem já possui um processo consular deve revisar a documentação de renda do patrocinador e o formulário I-864, declaração usada em várias categorias familiares para demonstrar suporte financeiro. A possível caução não substitui automaticamente essas exigências.
Jacy Abreu
Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.
Fontes e Créditos
A matéria utilizou reportagem publicada pelo The Wall Street Journal, informações do Departamento de Estado, o Manual de Políticas do USCIS e registros do Federal Register.
Transparência Editorial
Esta matéria foi atualizada em 17 de julho de 2026. Até esta data, o governo americano não havia publicado uma regra específica estabelecendo a caução de US$ 100 mil, a lista de países atingidos ou a data de implementação. O texto distingue informações confirmadas pelo Departamento de Estado de detalhes atribuídos a fontes ouvidas pelo The Wall Street Journal.