EUA estimam 186 mil Green Cards de trabalho em 2026, 46 mil acima do piso anual

Os Estados Unidos estimaram em 186 mil o número de Green Cards baseados em emprego disponíveis no ano fiscal de 2026, segundo tabela oficial do Departamento de Estado. O total supera em 46 mil o piso anual de 140 mil previsto para essas categorias.
O número aparece no documento Annual Numerical Limits FY 2026, publicado pelo Departamento de Estado. A tabela distribui os vistos imigratórios de trabalho entre as categorias EB, usadas por profissionais, trabalhadores qualificados, investidores, pessoas com habilidades extraordinárias e outras classificações previstas na lei migratória americana.
A informação ganhou circulação nas redes sociais como uma “janela” para quem busca residência permanente nos EUA. A leitura exige cuidado. O aumento do limite anual não significa que as regras ficaram mais fáceis, nem que candidatos sem elegibilidade passaram a ter um caminho automático para o Green Card.
O que são os Green Cards de trabalho
As categorias employment-based, conhecidas pela sigla EB, fazem parte do sistema de residência permanente dos Estados Unidos. Elas são diferentes de vistos temporários de trabalho, como H-1B, L-1, O-1 ou H-2B.
Na prática, as categorias EB podem levar ao Green Card. Entre elas estão a EB-1, voltada a pessoas com habilidades extraordinárias, executivos e pesquisadores; a EB-2, usada por profissionais com grau avançado ou habilidade excepcional; a EB-3, para trabalhadores qualificados, profissionais e outros trabalhadores; a EB-4, para imigrantes especiais; e a EB-5, ligada a investimento.
Cada categoria tem regras próprias. Algumas exigem oferta de emprego e certificação trabalhista. Outras permitem petições com pedido de dispensa por interesse nacional, como ocorre em parte dos casos de EB-2 NIW. O número maior de vistos disponíveis não substitui nenhuma dessas etapas.
Por que o total passou de 140 mil para 186 mil
A lei migratória americana estabelece que o nível mundial anual para imigrantes baseados em emprego é de pelo menos 140 mil. O total final de cada ano fiscal pode mudar por causa da fórmula legal que redistribui números não usados em outras categorias. O Visa Bulletin do Departamento de Estado informa esse piso e também mostra que há limite por país de 7% sobre o total combinado das preferências familiares e de trabalho.
Por isso, a frase “46 mil Green Cards a mais” precisa ser entendida como comparação com o piso legal de 140 mil, não como uma nova categoria, anistia ou liberação especial. O dado oficial é o total estimado de 186 mil para o FY 2026.
O ano fiscal americano começou em 1º de outubro de 2025 e termina em 30 de setembro de 2026. Depois disso, os limites são recalculados para o ciclo seguinte.
Quem pode se beneficiar
O aumento favorece principalmente quem já está dentro de uma estratégia migratória compatível com uma categoria EB. Isso inclui pessoas com petição aprovada, processo em andamento, prioridade próxima no Visa Bulletin ou documentação pronta para avançar quando a data permitir.
Para quem ainda não iniciou o processo, o número serve mais como alerta de planejamento do que como promessa de oportunidade imediata. Um processo de Green Card baseado em emprego pode envolver avaliação de perfil, petição ao USCIS, análise de documentos, etapa consular ou ajuste de status dentro dos EUA.
A etapa decisiva é a priority date, data que marca a posição do candidato na fila. Ela é comparada todos os meses com o Visa Bulletin, boletim oficial que informa quais datas podem avançar para emissão de visto ou ajuste de status.
O que brasileiros devem observar
O Brasil costuma ter situação menos congestionada que países como Índia e China em várias categorias, mas isso não elimina filas nem dispensa consulta ao Visa Bulletin. O limite por país existe e as datas mudam mensalmente.
O Departamento de Estado já informou, em 2026, que algumas categorias podem ficar indisponíveis quando os números anuais acabam. Em maio, por exemplo, o órgão comunicou que o limite por país da Índia na categoria EB-2 havia sido alcançado para o FY 2026, com retomada apenas no início do ano fiscal seguinte, em 1º de outubro de 2026.
Esse exemplo não deve ser lido como situação brasileira. Ele mostra como o sistema funciona quando a demanda supera a disponibilidade numérica.
Para quem está nos EUA e pretende pedir ajuste de status, há outra camada. O USCIS publica mensalmente qual tabela do Visa Bulletin deve ser usada. Para julho de 2026, o órgão informou que todas as categorias employment-based devem usar a tabela de Final Action Dates para pedidos de ajuste de status.
O que fazer antes de tomar decisão
Quem pretende usar uma categoria EB deve começar pela checagem de elegibilidade, não pelo número total de vistos. O primeiro passo é identificar se o perfil se encaixa em EB-1, EB-2, EB-3, EB-4 ou EB-5. Depois, é preciso verificar se há necessidade de empregador patrocinador, certificação trabalhista, plano de investimento ou documentação de mérito profissional.
Também é importante reunir provas antes da pressa. Diplomas, traduções, histórico profissional, publicações, cartas de recomendação, comprovação de experiência, registros empresariais e evidências de renda ou investimento costumam fazer parte da análise, conforme a categoria.
A decisão de avançar sem orientação pode custar caro. Um pedido fraco, uma categoria mal escolhida ou uma documentação inconsistente aumenta o risco de pedido de evidência, atraso ou negativa. Para brasileiros nos EUA, também há risco de comprometer status migratório se houver confusão entre visto temporário, ajuste de status e residência permanente.
O número de 186 mil torna 2026 um ano relevante para quem já tem base documental e estratégia definida. Para quem ainda está no começo, a janela real é de preparação.
Jacy Abreu
Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.
Fontes e Créditos
As informações desta matéria foram apuradas com base no documento oficial Annual Numerical Limits FY 2026, do Departamento de Estado dos EUA, no Visa Bulletin, também do Departamento de Estado, e na página do USCIS sobre Adjustment of Status Filing Charts from the Visa Bulletin.
Transparência Editorial
Esta matéria foi produzida com base em fontes oficiais consultadas em julho de 2026. O texto não oferece aconselhamento jurídico, não substitui avaliação individual de advogado de imigração e não afirma que o aumento do limite anual garante aprovação. Números e datas do Visa Bulletin mudam mensalmente.