EUA elevam para 186 mil o limite de Green Cards por emprego em 2026

Jacy Abreu24 de junho de 2026Imigração
EUA elevam para 186 mil o limite de Green Cards por emprego em 2026

O Departamento de Estado dos EUA estimou em 186 mil o limite de Green Cards baseados em emprego no Ano Fiscal de 2026. O número vale para categorias como EB-1, EB-2, EB-3, EB-4 e EB-5.

O total aparece no documento oficial de limites numéricos anuais do governo americano. A tabela mostra 53.196 números para a primeira preferência de emprego, 53.196 para a segunda, 53.196 para a terceira, 13.206 para a quarta e 13.206 para a quinta.

O piso legal para Green Cards baseados em emprego é de pelo menos 140 mil por ano, segundo o Visa Bulletin do Departamento de Estado. Em 2026, o teto ficou acima disso porque o sistema migratório americano permite que números não usados em determinadas categorias sejam realocados conforme as regras da lei.

Por que o número subiu em 2026?

A imigração americana trabalha com limites anuais. Quando uma categoria não usa todos os números disponíveis, parte dessas sobras pode ser redistribuída para outras categorias no ciclo seguinte.

No documento do Ano Fiscal de 2026, o Departamento de Estado informa que números não usados podem “descer” ou “subir” entre preferências, de acordo com a categoria. No bloco de emprego, o órgão diz que números não usados podem passar de E1 para E2 e E3, e que números não usados de E4 e E5 podem subir para E1.

Na prática, isso ajuda a explicar por que o limite baseado em emprego chegou a 186 mil em 2026, acima do piso de 140 mil. O número, porém, não deve ser lido como “46 mil vagas abertas” para qualquer estrangeiro.

Green Card por emprego não funciona como sorteio aberto. O candidato precisa se enquadrar em uma categoria, cumprir requisitos, ter uma petição aprovada e, em muitos casos, contar com empregador patrocinador ou demonstrar qualificação específica.

O que muda para brasileiros

Para brasileiros, a notícia importa porque o Brasil costuma entrar na coluna “All Chargeability Areas Except Those Listed”, usada para países que não têm fila própria separada como Índia e China em várias categorias.

No Visa Bulletin de junho de 2026, EB-1 e EB-2 aparecem como “Current” para a maior parte dos países, o que significa que números estão autorizados para todos os candidatos qualificados naquela coluna. Já EB-3 tem data de ação final em 1º de junho de 2024 para essa mesma coluna.

Isso não elimina a análise individual. Um brasileiro pode estar em situação melhor do que candidatos de países com filas longas, mas ainda precisa passar pelo processo regular. Categoria, data de prioridade, documentação, histórico profissional, empregador e capacidade de processamento continuam pesando.

Também é preciso observar o boletim mês a mês. O próprio Departamento de Estado explica que, se a demanda ultrapassa o limite disponível, a categoria passa a ter data de corte. Se o limite anual for atingido, a categoria pode ficar indisponível.

Por que isso não é promessa de Green Card

O aumento do teto cria mais espaço no sistema, mas não muda os critérios de elegibilidade. EB-1, EB-2 e EB-3 continuam sendo categorias migratórias com exigências próprias.

O EB-1 é voltado a trabalhadores prioritários. O EB-2 atende profissionais com grau avançado ou habilidade excepcional. O EB-3 cobre trabalhadores qualificados, profissionais e outros trabalhadores. Essas descrições aparecem no Visa Bulletin, que resume as classes previstas na legislação migratória.

Isso significa que publicidade prometendo Green Card apenas porque “sobraram números” deve ser tratada com cautela. Número disponível não substitui perfil, prova documental, petição correta e análise do governo.

Também há diferença entre ter uma categoria disponível no boletim e ter um caso pronto para aprovação. Uma pessoa pode estar em uma categoria “current”, mas ainda não ter petição aprovada. Outra pode ter petição aprovada, mas enfrentar pendência documental, entrevista, checagem de admissibilidade ou atraso administrativo.

Visto de turista não autoriza trabalho

Um ponto exige correção direta: visto de turista não é caminho para trabalhar nos EUA.

O Departamento de Estado afirma que pessoas com visto de visitante B1/B2 não podem aceitar emprego nem trabalhar nos Estados Unidos. O B1 permite atividades temporárias de negócios, como consultas com parceiros, participação em conferências e negociação de contratos, mas não autoriza emprego em empresa americana.

Para o brasileiro que está no Brasil, isso muda a leitura da oportunidade. Apresentar currículo, conversar com empresas ou avaliar caminhos profissionais não é a mesma coisa que estar autorizado a trabalhar. Entrar como visitante com intenção incompatível com o visto pode gerar problema migratório.

A orientação segura é separar três coisas: visita, processo migratório e autorização de trabalho. Cada uma tem regra própria. Misturar essas etapas costuma ser o ponto em que promessas fáceis viram risco real.

A janela tem data para acabar

O Ano Fiscal de 2026 termina em 30 de setembro de 2026. O limite maior vale dentro desse ciclo. Números não usados dentro do período não devem ser tratados como crédito pessoal do candidato nem como garantia de uso futuro.

Por isso, quem já tem processo em andamento deve acompanhar o Visa Bulletin, conferir a própria data de prioridade e verificar se o caso está documentariamente pronto. Quem ainda está começando precisa entender primeiro qual categoria se aplica ao perfil.

Para quem está nos EUA, a dúvida costuma ser ajuste de status. Para quem está no Brasil, a rota geralmente passa por processamento consular. Em qualquer cenário, a decisão não deve partir de anúncio em rede social, mas de leitura do caso concreto.

O aumento para 186 mil é uma notícia positiva para o sistema de Green Cards por emprego. Mas a oportunidade existe dentro de uma regra técnica. Ela favorece quem tem caso elegível, documentação correta e tempo processual compatível. Não libera trabalho com visto de turista. Não obriga empresas a contratar brasileiros no Brasil. Não transforma promessa comercial em direito migratório.

Jacy Abreu

Jacy Abreu

Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.

Fontes e Créditos

As informações centrais desta matéria foram verificadas no documento Annual Numerical Limits FY-2026, publicado pelo Departamento de Estado dos EUA, e no Visa Bulletin de junho de 2026, também do Departamento de Estado. A checagem sobre visto B1/B2 usou as páginas oficiais de vistos de visitante e vistos de negócios do governo americano.

Transparência Editorial

Esta matéria foi produzida a partir de insumo editorial enviado à redação e passou por checagem em fonte oficial em 23 de junho de 2026. O texto não promete aprovação migratória, não substitui orientação jurídica e não recomenda uso de visto de visitante para trabalhar nos Estados Unidos. O Visa Bulletin muda mensalmente, por isso a situação de cada categoria deve ser conferida no mês em que o leitor for tomar decisão.

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