EUA criam 98 mil vagas no setor privado e mantêm portas abertas em serviços e hospitalidade

O setor privado dos Estados Unidos criou 98 mil vagas em junho, informou a ADP. O resultado mostra que as empresas americanas continuaram contratando, com maior concentração nos serviços e nas pequenas empresas.
O dado saiu em um momento de atenção sobre o mercado de trabalho, mas não aponta falta de vagas. Para brasileiros que vivem nos EUA ou planejam trabalhar no país, a leitura mais útil está nos setores que ainda precisam de gente.
Serviços presenciais, atendimento ao público, saúde, comércio, transporte, hotelaria, alimentação e pequenos negócios locais seguem como caminhos importantes para quem busca o primeiro emprego ou quer trocar de área.
Segundo a ADP, os salários anuais subiram 4,4% para trabalhadores que permaneceram no mesmo emprego. Para quem trocou de vaga, a alta foi de 6,6% em 12 meses.
Esse dado ajuda a entender o movimento do mercado. Mudar de emprego ainda pode melhorar a renda, mas a troca exige preparo. Experiência, disponibilidade de horário, currículo no padrão americano e clareza sobre a função desejada fazem diferença.
Serviços puxaram a criação de vagas
O relatório da ADP mostrou que os serviços concentraram quase toda a criação de empregos em junho. Foram 96 mil vagas nesse grupo. Os setores produtores de bens abriram 2 mil postos.
Para brasileiros, esse recorte importa. Boa parte das primeiras oportunidades nos Estados Unidos aparece justamente em áreas de serviço. Entram nessa conta comércio, transporte, atendimento, saúde, educação privada, serviços financeiros, limpeza comercial, manutenção, alimentação, hotelaria, turismo e negócios locais.
Educação e saúde criaram 48 mil vagas no setor privado. Comércio, transporte e utilidades públicas abriram 15 mil. Atividades financeiras somaram 14 mil. Informação criou 7 mil. Outros serviços adicionaram 8 mil postos.
Esse mapa mostra que o candidato não deve olhar apenas para restaurantes e hotéis. Eles seguem relevantes, mas não são o único caminho. Clínicas, consultórios, empresas de home care, escolas privadas, transportadoras, mercados, empresas de limpeza, escritórios, seguradoras e negócios que atendem comunidades locais também aparecem como portas de entrada.
Pequenas empresas seguem relevantes para recém-chegados
As pequenas empresas foram um dos destaques do relatório. Segundo a ADP, negócios com menos de 50 funcionários criaram 53 mil vagas em junho.
Esse ponto pesa para brasileiros recém-chegados. Em muitos casos, o primeiro emprego surge em empresas menores, onde o processo seletivo é mais direto e a experiência prática pode contar tanto quanto a formação acadêmica.
Restaurantes familiares, cafés, mercados, salões, empresas de limpeza, oficinas, hotéis independentes, serviços de mudança, transportadoras locais, clínicas pequenas e negócios de brasileiros podem funcionar como entrada no mercado americano.
Isso não significa aceitar qualquer proposta. O trabalhador precisa verificar pagamento, carga horária, forma de contratação e autorização de trabalho. Uma boa vaga é aquela que ajuda a construir histórico, comprovar renda e abrir caminho para posições melhores.
Hospitalidade segue como porta de entrada
Hospitalidade continua entre as áreas mais conhecidas por quem busca trabalho nos EUA. O setor inclui hotéis, restaurantes, bares, cafeterias, resorts, parques, eventos, turismo, catering, limpeza hoteleira, lavanderia, recepção, manutenção e serviços de alimentação.
Em junho, o relatório da ADP registrou criação pequena em lazer e hospitalidade, com 2 mil vagas. O número mostra uma contratação mais seletiva no mês, mas não elimina a importância do setor para quem quer entrar no mercado.
A força da hospitalidade está no volume de trabalhadores, na rotatividade e na necessidade de funções presenciais. Mesmo quando a contratação perde ritmo em um mês, restaurantes, hotéis e empresas de eventos continuam substituindo funcionários, abrindo turnos e buscando pessoas para funções específicas.
O Bureau of Labor Statistics informa que trabalhadores de alimentação e bebidas normalmente não precisam de escolaridade formal para entrar na ocupação e recebem treinamento de curto prazo no próprio emprego. A agência também destaca atendimento ao cliente, comunicação, resistência física e capacidade de seguir procedimentos de segurança alimentar como habilidades importantes nessas funções.
Para brasileiros, esse ponto pode abrir caminho. Quem ainda desenvolve o inglês pode começar por funções de apoio, cozinha, limpeza, estoque, preparação de alimentos, lavanderia ou manutenção. Quem já fala inglês funcional pode mirar recepção, atendimento ao cliente, reservas, caixa, host, server assistant, bartender assistant e coordenação de turno.
Onde procurar em hotéis e restaurantes
A busca mais eficiente não começa com termos genéricos como “hotel job” ou “restaurant job”. O candidato precisa procurar funções compatíveis com sua experiência real.
Em hotéis, há oportunidades em housekeeping, lavanderia, manutenção, recepção, reservas, café da manhã, limpeza de áreas comuns, valet, estoque, compras, guest services e supervisão de turno.
Em restaurantes e cafeterias, aparecem vagas em cozinha de apoio, preparação de alimentos, dishwasher, line cook, cashier, barback, food runner, hostess, server assistant e shift leader.
Eventos também abrem portas. Empresas de catering, casas de festa, centros de convenções, arenas, parques e serviços temporários precisam de apoio em montagem, limpeza, cozinha, atendimento, operação e logística.
Para quem quer crescer, hospitalidade pode virar carreira. O BLS informa que food service managers, responsáveis por operações de restaurantes e serviços de alimentação, tinham salário anual mediano de US$ 65.310 em maio de 2024.
Na hotelaria, lodging managers, que administram operações de hospedagem, têm crescimento projetado de 3% entre 2024 e 2034, com cerca de 5.400 aberturas por ano em média, segundo o BLS.
O caminho costuma começar em funções operacionais. Depois, o trabalhador pode avançar para líder de turno, supervisor, gerente assistente, gerente de alimentos e bebidas, gerente de hospedagem ou coordenação de eventos.
Cozinha pode abrir caminho para crescimento
Cozinha é uma das áreas em que a experiência prática pesa muito. O BLS projeta crescimento de 5% para cozinheiros entre 2024 e 2034, acima da média de todas as ocupações, com cerca de 432.200 aberturas por ano.
Para brasileiros com experiência em restaurante, padaria, buffet, hotel, confeitaria, churrascaria, cozinha industrial ou eventos no Brasil, esse dado mostra uma rota possível. O primeiro emprego pode não ser o cargo ideal, mas pode ajudar o trabalhador a entrar no sistema, entender padrões americanos e buscar promoção.
Funções como prep cook, line cook, breakfast cook, grill cook, pastry assistant, catering cook e kitchen supervisor aparecem com frequência em restaurantes, hotéis, mercados gourmet, empresas de eventos e redes de alimentação.
O ponto decisivo é traduzir a experiência brasileira para a linguagem do currículo americano. Em vez de escrever apenas “trabalhei em restaurante”, o candidato deve informar volume de atendimento, tipo de cozinha, tamanho da equipe, responsabilidades e equipamentos que sabe operar.
Como o brasileiro pode aproveitar melhor as vagas
O mercado segue com oportunidades, mas favorece quem procura com método. O primeiro passo é ter um currículo curto, em inglês, sem foto, idade, estado civil ou texto longo de apresentação.
O foco deve estar em experiência, funções exercidas, disponibilidade de horário, idiomas, certificações e autorização de trabalho quando aplicável.
O segundo passo é buscar por cargo, não apenas por setor. Quem procura emprego em hotelaria deve pesquisar termos como housekeeper, front desk agent, laundry attendant, maintenance assistant, breakfast attendant, guest services e room attendant.
Quem busca restaurante deve procurar prep cook, line cook, dishwasher, cashier, barback, host, food runner e shift leader.
O terceiro passo é usar a rede local. Pequenos negócios seguem contratando, e muitos não aparecem nos grandes sites de emprego. Ir pessoalmente a cafés, restaurantes, hotéis independentes, mercados, salões, empresas de limpeza e serviços locais pode funcionar, desde que o candidato leve currículo impresso e saiba explicar em inglês simples sua disponibilidade.
O quarto passo é olhar para setores próximos. Quem busca hospitalidade também pode encontrar oportunidade em transporte, logística, comércio, limpeza comercial, clínicas, escolas privadas e atendimento administrativo. O relatório da ADP mostra que o crescimento de vagas não está concentrado em um único setor.
Atenção a visto, sponsor e trabalho autorizado
Para quem depende de sponsor, que é quando uma empresa patrocina o trabalhador em um processo de visto, o caminho costuma ser mais forte em cargos com experiência comprovada, funções de gestão, cozinha especializada, hotelaria operacional, alimentos e bebidas ou áreas em que o empregador tenha dificuldade real de contratar.
Vagas de entrada podem ajudar na adaptação e na construção de histórico, mas nem sempre sustentam um processo migratório. Por isso, o trabalhador deve separar duas metas: conseguir renda no curto prazo e construir uma trajetória profissional que possa apoiar objetivos maiores.
Estudantes em OPT, autorização temporária de trabalho ligada ao visto F-1 após a conclusão dos estudos, devem procurar vagas alinhadas à área de formação e manter registros de candidaturas, entrevistas e vínculos profissionais.
Quem não tem autorização de trabalho precisa redobrar o cuidado. Promessa de vaga com sponsor imediato, pedido de pagamento antecipado, contratação sem dados claros da empresa ou oferta recebida apenas por mensagem devem acender alerta.
Há vagas, mas a busca precisa ser mais inteligente
O relatório de junho mostra que o setor privado americano continuou abrindo vagas. Para brasileiros, a mensagem principal é que há espaço, especialmente em serviços, pequenas empresas, saúde, comércio, transporte, alimentação, hotelaria e atendimento presencial.
Hospitalidade segue como porta de entrada importante, mas não deve ser a única aposta. O melhor caminho é combinar busca em hotéis e restaurantes com setores próximos, adaptar o currículo e mirar funções que conversem com a experiência real do candidato.
Quem chega preparado encontra mais chances. Quem busca de forma genérica concorre com todo mundo.
Jacy Abreu
Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.
Fontes e Créditos
Esta matéria foi elaborada com base no relatório ADP National Employment Report de junho de 2026, em dados do U.S. Bureau of Labor Statistics sobre ocupações de alimentação, cozinha, hotelaria e gestão de serviços de alimentação, e em informações do relatório oficial de emprego dos Estados Unidos.
Transparência Editorial
O texto usa o dado da ADP como fato central e amplia a apuração com fontes oficiais do governo americano. A matéria evita afirmar que todos os setores estão aquecidos da mesma forma. O recorte editorial prioriza oportunidades práticas para brasileiros nos EUA, especialmente em hospitalidade e serviços, sem recomendar trabalho sem autorização ou prometer sponsor. A abordagem segue a regra do Vou pra América de acrescentar impacto prático para bolso, visto e vida do imigrante.