
O governo dos Estados Unidos apresentou em dezembro de 2025 uma proposta que amplia as informações exigidas de visitantes que solicitam entrada no país pelo ESTA, autorização eletrônica usada por cidadãos de países que participam do programa de isenção de visto.
O que você precisa saber
• Proposta quer tornar obrigatória a declaração de redes sociais usadas nos últimos cinco anos
• Sistema ESTA é utilizado por cerca de 14 milhões de viajantes por ano
• Regra ainda não entrou em vigor e passou por consulta pública até fevereiro de 2026
A medida foi publicada pelo Customs and Border Protection (CBP), órgão responsável pelo controle de fronteiras. Segundo o texto preliminar, viajantes deverão informar nomes de usuário em plataformas digitais, além de números de telefone utilizados nos últimos cinco anos e endereços de e-mail da última década.
Hoje, o formulário do ESTA já possui um campo para redes sociais, mas o preenchimento é opcional. Essa possibilidade existe desde 2016 e costuma ser ignorada por parte dos solicitantes. A proposta transformaria essa informação em requisito obrigatório para obtenção da autorização de viagem.
O que é o ESTA
O ESTA é uma autorização digital exigida de visitantes de países participantes do Visa Waiver Program, como Reino Unido, Itália, Alemanha, Espanha, Japão e Chile. Com ele, o viajante pode entrar nos Estados Unidos para turismo ou negócios e permanecer por até 90 dias sem solicitar visto no consulado.
A decisão final de entrada, no entanto, continua sendo feita pelo agente de imigração no aeroporto.
Por que o governo quer ampliar os dados
O CBP afirma que a coleta de identificadores digitais permite cruzamento de informações públicas e ajuda a detectar riscos de segurança ou inconsistências no histórico do viajante. A proposta ficou aberta para comentários por cerca de 60 dias, com prazo encerrado em fevereiro de 2026. Até agora, o governo não confirmou quando ou se as novas exigências entrarão em vigor.
O debate ocorre em meio a preocupações do setor de turismo. Um estudo do Conselho Mundial de Viagens e Turismo estimou que mudanças mais rígidas no processo de entrada podem reduzir a atratividade dos Estados Unidos como destino internacional, com impacto potencial de bilhões de dólares em gastos turísticos.
Impacto prático
A proposta não afeta quem entra nos Estados Unidos com visto tradicional, como o B-1/B-2. O efeito recai principalmente sobre brasileiros com dupla cidadania europeia ou de outros países elegíveis ao ESTA, que utilizam o sistema para viagens curtas.
Na prática, inconsistências entre perfis públicos e informações declaradas podem aumentar a chance de inspeção secundária na chegada. Esse procedimento envolve entrevista adicional e análise detalhada da viagem. Em situações específicas, pode resultar em recusa de entrada.
Especialistas em imigração recomendam acompanhar o andamento da proposta e revisar informações pessoais antes de solicitar o ESTA. A medida ainda está em discussão, mas sinaliza uma tendência de reforço na triagem digital de visitantes.
Customs and Border Protection Federal Register World Travel & Tourism Council
A matéria foi produzida com base em proposta oficial ainda em análise. Informações podem ser atualizadas conforme o governo americano avance no processo regulatório.
Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.