EUA alertam influenciadores na Copa: monetizar conteúdo com visto de turista pode levar à deportação

Jacy Abreu13 de junho de 2026Regras e Vida nos EUA
EUA alertam influenciadores na Copa: monetizar conteúdo com visto de turista pode levar à deportação

Produzir conteúdo pago durante a Copa pode gerar problemas migratórios

O governo dos Estados Unidos alertou que influenciadores estrangeiros que produzirem conteúdo monetizado durante a Copa do Mundo de 2026 utilizando visto de turismo podem ser enquadrados por trabalho não autorizado e enfrentar consequências migratórias, incluindo deportação.

O aviso foi divulgado pelo jornal El País com base em um comunicado atribuído ao Customs and Border Protection (CBP) e ao Department of Homeland Security (DHS).

A orientação tem como foco criadores que entram no país com visto B-2, destinado ao turismo, mas cuja intenção principal é gravar, publicar e obter renda com conteúdo produzido em território americano.

O alerta abrange plataformas como YouTube, TikTok, Instagram, Facebook e outras redes sociais que ofereçam monetização ou envolvam campanhas patrocinadas.

Quando a produção de conteúdo deixa de ser turismo

Segundo informações do Departamento de Estado, portadores de visto de visitante não podem aceitar emprego nem trabalhar nos Estados Unidos.

O órgão também informa que profissionais de mídia estrangeira que viajam ao país para exercer atividade jornalística devem utilizar uma categoria específica, como o visto I, quando a atividade envolve cobertura informativa de eventos atuais.

O ponto central do alerta não é a publicação de fotos, vídeos ou relatos pessoais da viagem. Turistas podem registrar a experiência, mostrar os estádios e compartilhar momentos da Copa com amigos e seguidores.

A situação muda quando a viagem passa a ter finalidade comercial.

Nesse cenário, entram contratos com marcas, conteúdo patrocinado, cobertura remunerada, pagamentos realizados por plataformas digitais, equipes de gravação, roteiros profissionais ou qualquer produção desenvolvida para gerar renda a partir da presença física nos Estados Unidos.

O que pode chamar atenção da imigração

Para brasileiros que pretendem viajar durante a Copa como criadores de conteúdo, a diferença entre turismo e atividade profissional tem consequências práticas.

Entrar nos Estados Unidos informando que a viagem tem caráter turístico, mas desembarcar com contratos comerciais, equipamentos destinados à produção profissional, cronograma de gravações e compromissos de trabalho pode gerar questionamentos durante a inspeção migratória.

Caso o oficial responsável conclua que o objetivo real da viagem é exercer atividade profissional, a entrada pode ser negada. O visto também pode ser cancelado e o viajante removido do país.

Copa de 2026 deve aumentar atenção sobre criadores digitais

A Copa do Mundo de 2026 será disputada entre 11 de junho e 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México.

Segundo a Wired, dos 104 jogos do torneio, 78 serão realizados em território americano. A publicação também informou que as autoridades devem observar com atenção a entrada de influenciadores durante a competição.

O alerta alcança especialmente criadores que tentam enquadrar uma cobertura profissional da Copa como simples viagem de turismo.

A mesma lógica vale para jornalistas, cinegrafistas, produtores e correspondentes estrangeiros. Quando existe atividade profissional de imprensa em território americano, o visto de visitante não é a categoria adequada.

Nem todo influenciador se enquadra na mesma regra

A situação dos influenciadores costuma exigir uma análise mais detalhada porque nem todos atuam da mesma forma.

Dependendo da atividade desenvolvida, da origem dos pagamentos, da existência de contratos e do perfil profissional do criador, pode ser necessário solicitar visto de trabalho, visto de mídia ou outra categoria migratória compatível.

A avaliação deve ocorrer antes da viagem. A decisão não deve ser deixada para o momento da inspeção na imigração.

O que brasileiros devem fazer antes de embarcar

Criadores brasileiros que planejam acompanhar a Copa nos Estados Unidos precisam avaliar com clareza qual é o objetivo da viagem.

Se a ida ao país tem finalidade exclusivamente turística, o comportamento deve ser compatível com essa condição.

Por outro lado, quando existe monetização, publicidade, cobertura profissional ou qualquer entrega contratada, a recomendação é consultar um advogado de imigração antes do embarque.

As autoridades também alertam que não é seguro ocultar contratos, apagar mensagens ou fornecer informações falsas sobre o motivo da viagem.

O ponto central não é possuir uma rede social ou produzir conteúdo. A questão é utilizar um visto de turismo para exercer uma atividade que o governo americano pode considerar trabalho.

Para quem depende de renda digital, o planejamento deve começar antes mesmo da compra da passagem. A Copa representa uma oportunidade de audiência para criadores de conteúdo, mas o uso de uma categoria de visto incompatível com a atividade exercida pode transformar a viagem em um problema migratório.

Jacy Abreu

Jacy Abreu

Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.

Fontes e Créditos

Esta matéria foi produzida com base em reportagem do El País, apuração da Wired e informações oficiais do Departamento de Estado dos Estados Unidos sobre visto de visitante e visto para representantes de mídia estrangeira.

Transparência Editorial

O Vou pra América não localizou, durante esta apuração, uma página pública do CBP ou do DHS com o comunicado integral. Por isso, o alerta foi atribuído ao El País, que informou ter recebido o comunicado das autoridades americanas.

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