Estudo associa iPhone a até metade da queda da fertilidade nos EUA

Jacy Abreu26 de junho de 2026Tecnologia
Estudo associa iPhone a até metade da queda da fertilidade nos EUA

Um estudo do National Bureau of Economic Research associou a chegada do iPhone a parte da queda da fertilidade nos Estados Unidos desde 2007. A pesquisa atribui ao smartphone entre 33% e 52% da redução na taxa geral de nascimentos entre mulheres de 15 a 44 anos.

O que você precisa saber

A taxa geral de fertilidade dos EUA chegou a 53,1 nascimentos por 1.000 mulheres de 15 a 44 anos em 2025, segundo dados provisórios do CDC. O número caiu 1% em relação a 2024 e acumula queda de 23% desde 2007. O estudo do NBER sugere que o acesso ao iPhone reduziu nascimentos principalmente entre adolescentes e mulheres na faixa dos 20 anos.

A pesquisa foi conduzida por Caitlin K. Myers, economista do Middlebury College. O trabalho parte de um ponto específico da história recente dos EUA: entre junho de 2007 e fevereiro de 2011, o iPhone foi vendido com exclusividade pela AT&T. Isso permitiu comparar regiões com diferentes níveis de cobertura de internet móvel da operadora.

Segundo o NBER, o acesso ao iPhone reduziu os nascimentos entre 4,5% e 8% entre adolescentes de 15 a 19 anos. Entre mulheres de 20 a 24 anos, a queda estimada ficou entre 3,2% e 6,6%. O efeito apareceu em menor escala entre faixas etárias mais velhas.

Por que o iPhone entrou na conta

O estudo não trata o celular como causa única da queda da natalidade. A hipótese central é que o smartphone mudou hábitos sociais, consumo de informação, tempo de tela e formas de relacionamento. Menos encontros presenciais e mais tempo online podem ter afetado decisões reprodutivas, sobretudo entre jovens.

Myers disse à CBS News que tentou testar se o resultado poderia ser explicado por outros fatores, como impacto econômico da crise de 2008 nas áreas atendidas pela AT&T. Segundo a reportagem, a pesquisadora fez controles estatísticos para fatores econômicos e demográficos, e o efeito atribuído ao iPhone continuou aparecendo.

Isso não significa que o estudo encerra a discussão. A própria autora afirmou à CBS que o iPhone explicaria apenas parte da queda, deixando metade ou mais do declínio sem explicação. Custos financeiros, cuidado infantil caro, adiamento da maternidade e mudanças nas prioridades de vida continuam sendo fatores citados por pesquisadores.

O dado oficial mostra uma queda longa

O CDC informou que os EUA registraram 3.606.400 nascimentos em 2025, queda de 1% frente a 2024. A taxa geral de fertilidade caiu para 53,1 nascimentos por 1.000 mulheres de 15 a 44 anos. O relatório usa dados recebidos e processados pelo National Center for Health Statistics até 3 de fevereiro de 2026, cobrindo 99,95% dos registros de nascimento do ano.

A queda é mais forte entre adolescentes. A taxa de fertilidade de mulheres de 15 a 19 anos caiu 72% desde 2007 e chegou a 11,7 nascimentos por 1.000 adolescentes em 2025. Entre meninas de 15 a 17 anos, o recuo desde 2007 foi de 78%. Entre jovens de 18 a 19 anos, foi de 69%.

Esses números mostram que a mudança não é pontual. Os EUA têm menos bebês nascendo, menos jovens entrando no futuro mercado de trabalho e uma população que envelhece.

Por que isso importa para brasileiros nos EUA

Para brasileiros que vivem nos EUA, a queda da natalidade não é só um dado demográfico. Ela entra em discussões que afetam impostos, aposentadoria, vagas de trabalho, salários e política migratória.

O Social Security, sistema público de aposentadoria dos EUA, depende principalmente de impostos pagos por trabalhadores ativos. Quando nascem menos crianças, há menos futuros trabalhadores contribuindo para sustentar uma população aposentada maior. O relatório de 2026 dos trustees do Social Security afirma que parte do aumento projetado de custos do sistema está ligada à queda das taxas de fertilidade e ao envelhecimento da população.

O mesmo relatório projeta que as reservas do fundo de aposentadoria OASI serão esgotadas no quarto trimestre de 2032. Para os fundos combinados do Social Security, a projeção é de esgotamento no terceiro trimestre de 2034, quando 83% dos benefícios programados poderiam ser pagos.

Na prática, isso significa que o debate sobre natalidade afeta quem trabalha com carteira, quem paga payroll tax, quem pretende se aposentar nos EUA e quem depende de planejamento financeiro de longo prazo.

Também pesa sobre a imigração. Uma economia com menos jovens pode depender mais de trabalhadores estrangeiros em setores como saúde, construção, serviços, tecnologia, transporte e cuidado de idosos. Isso não garante abertura migratória automática. Mas ajuda a explicar por que debates sobre vistos de trabalho, regularização, escassez de mão de obra e envelhecimento caminham juntos.

O que fazer na vida prática

Para famílias brasileiras, o primeiro ponto é financeiro. Ter filhos nos EUA exige planejamento com seguro saúde, licença parental, creche, moradia e rede de apoio. A queda da natalidade mostra que essa decisão ficou mais cara e mais calculada para milhões de famílias.

Quem pretende permanecer no país também deve acompanhar a situação do Social Security. Brasileiros com autorização de trabalho e renda formal contribuem para o sistema por meio do payroll tax. O benefício futuro depende de tempo de contribuição, histórico de renda e regras vigentes no momento da aposentadoria.

Para quem está em processo migratório, o dado reforça outro ponto: trabalho formal e documentação correta importam. Setores pressionados por falta de mão de obra podem abrir oportunidades, mas vistos, autorizações e licenças profissionais continuam seguindo regras específicas.

O estudo sobre o iPhone chama atenção porque liga tecnologia a comportamento social. Mas a pergunta maior para o imigrante é outra: como viver em um país que envelhece, tem menos nascimentos e precisa decidir quem vai trabalhar, pagar impostos e sustentar os sistemas públicos nas próximas décadas.

Jacy Abreu

Jacy Abreu

Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.

Fontes e Créditos

As informações centrais foram verificadas no estudo de Caitlin K. Myers publicado pelo National Bureau of Economic Research, nos dados provisórios de nascimentos de 2025 do National Center for Health Statistics, vinculado ao CDC, na reportagem da CBS News sobre a pesquisa e no resumo do relatório de 2026 dos trustees do Social Security.

Transparência Editorial

Esta matéria trata o estudo como associação estatística, não como prova definitiva de causalidade única. O texto evita afirmar que smartphones “causaram” a queda da natalidade nos EUA. A redação seguiu o critério de publicar apenas fatos sustentados por fontes rastreáveis e acrescentar o impacto prático para brasileiros nos EUA.

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