
Compradores estrangeiros responderam por 52% de todas as vendas de imóveis em construção, pré-construção e conversão de condomínios no Sul da Flórida no intervalo de 22 meses encerrado em novembro de 2025, segundo o segundo New Construction Global Sales Report da MIAMI Association of Realtors. A primeira edição do estudo, divulgada em julho de 2025, apontava 49%.
O avanço reforça o peso do capital internacional em mercados como Miami-Dade, Broward e Palm Beach, especialmente em lançamentos e empreendimentos ainda em obra. Quando metade das vendas depende de compradores de fora dos Estados Unidos, cresce a concorrência por unidades novas, com mais negociações fechadas à vista e menos espaço para barganha tradicional via financiamento.
A própria entidade informou, em seu relatório internacional anual, que estrangeiros movimentaram US$ 4,4 bilhões em compras residenciais no Sul da Flórida no período que classifica como “2025”, acima dos US$ 3,1 bilhões do levantamento anterior.
O recorte, porém, não corresponde ao ano-calendário. Segundo o documento, a pesquisa considera o período entre agosto de 2024 e julho de 2025, o que altera a comparação para quem observa apenas os números de janeiro a dezembro.
Brasil está entre os cinco maiores compradores
No mesmo relatório, a MIAMI Realtors colocou o Brasil entre os cinco países que mais compraram imóveis na região, ao lado de Argentina, Colômbia, Canadá e México.
A entidade também registrou que compradores internacionais pagaram uma mediana de US$ 558.700 por imóvel e que 51% dessas aquisições foram feitas em dinheiro, sem financiamento.
Esse cenário favorece negociações rápidas e amplia a disputa por unidades mais disputadas, principalmente nos lançamentos. Em operações de pré-construção, compradores com financiamento costumam enfrentar mais obstáculos diante de concorrentes que fecham contratos à vista.
O modelo de pré-construção se consolidou como uma das principais portas de entrada para investidores latino-americanos. A estrutura permite reservar uma unidade com entrada inicial e pagamentos distribuídos durante a obra, com expectativa de valorização até a entrega.
Ao mesmo tempo, esse formato exige atenção maior a contratos, custos recorrentes e obrigações futuras. A compra à distância, sem leitura detalhada das cláusulas e sem avaliação do incorporador, costuma concentrar os maiores riscos.
Por que Miami segue atraindo capital internacional
A MIAMI Realtors atribui a força da demanda internacional a fatores como proteção patrimonial em moeda forte e à ausência de imposto de renda estadual na Flórida.
O mercado também mantém estabilidade de preços em períodos mais longos. Em junho de 2025, a entidade informou que os preços medianos de condomínios em Miami-Dade ficaram estáveis ou subiram em 160 dos últimos 168 meses, um histórico que cobre 14 anos.
Esse desempenho ajuda a sustentar o apelo de Miami como destino imobiliário para compradores da América Latina, especialmente em projetos novos.
Mas os relatórios mostram demanda forte, não garantia automática de valorização. Em pré-construção, fatores como reputação do incorporador, regras contratuais, taxas mensais e custos de manutenção pesam mais do que a promessa comercial apresentada no lançamento.
O que pesa na decisão de compra
A concorrência internacional no segmento de imóveis novos também altera o perfil de busca de quem pretende comprar para morar. Parte dos compradores acaba migrando para imóveis mais antigos ou para regiões fora dos endereços mais disputados, onde o valor de entrada tende a ser menor.
Para quem busca investimento, o cálculo vai além do preço por metro quadrado. HOA, seguro, impostos e possíveis aumentos ligados a exigências de manutenção e reservas financeiras do condomínio entram diretamente na conta.
Comprar em pré-construção também significa assumir um cronograma contratual de longo prazo. Depósitos escalonados, regras de atraso, cláusulas de repasse, reajustes e políticas de cancelamento fazem parte da operação desde o início.
Em um mercado em que metade das compras internacionais ocorre em dinheiro, decisões rápidas se tornaram comuns. Por isso, o processo exige verificação de licenças, histórico do incorporador, uso de title company e escrow confiáveis e atenção redobrada com transferências financeiras.
Os números da MIAMI Realtors mostram que compradores brasileiros deixaram de ser presença pontual nesse mercado e passaram a integrar uma parte relevante da demanda que sustenta novos lançamentos no Sul da Flórida. O espaço de oportunidade continua alto, mas o nível de exigência também.
MIAMI Realtors, press release sobre o New Construction Global Sales Report, 11 nov. 2025 PR Newswire, distribuição do comunicado com o dado de 52% e referência ao recorte de 22 meses 2025 MIAMI International Report, PDF MIAMI Realtors, “14 consecutive years” para condomínios em Miami Dade, 23 jun. 2025
Este texto foi produzido a partir de relatórios e comunicados públicos da MIAMI Association of Realtors e documentos vinculados. Quando a entidade usa “2025”, a matéria informa o período de pesquisa descrito no PDF para evitar leitura equivocada.
Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.