
A preparação para a primavera e o verão nos Estados Unidos já começou nos bastidores do mercado de trabalho. Relatórios recentes do U.S. Department of Labor indicam crescimento nas solicitações de mão de obra temporária, especialmente nos setores agrícola e de hospitalidade. O movimento, que tradicionalmente se intensifica a partir do fim do inverno, neste ano começou mais cedo.
No campo, produtores rurais ampliaram pedidos vinculados ao visto H-2A, voltado para trabalhadores agrícolas temporários. A demanda é puxada por colheitas sazonais, processamento de alimentos e expansão de áreas cultivadas. Em estados como Flórida, Califórnia e Texas, associações do setor vêm alertando para dificuldades em preencher vagas com trabalhadores locais, cenário que se repete nos últimos anos.
Já no setor de serviços, hotéis, resorts e parques temáticos iniciaram processos de contratação vinculados ao visto H-2B, destinado a funções não agrícolas de caráter temporário. A retomada consistente do turismo doméstico e internacional sustenta essa antecipação. Empresas buscam evitar gargalos operacionais registrados em temporadas anteriores, quando a escassez de pessoal afetou atendimento e receita.
Segundo dados oficiais do próprio Departamento do Trabalho, o número de certificações trabalhistas para vistos sazonais apresenta tendência de alta desde a reabertura plena da economia pós-pandemia. Embora os números consolidados de 2026 ainda estejam em atualização, o padrão histórico mostra crescimento progressivo nas autorizações para H-2A e forte concorrência pelas vagas limitadas do H-2B, que possui teto anual definido pelo Congresso.
Para brasileiros, o cenário pode representar uma porta de entrada legal e temporária no mercado americano. O visto H-2A não possui limite anual fixo, o que amplia a previsibilidade para o setor agrícola. Já o H-2B é sujeito a cap, com distribuição semestral das vagas, o que exige planejamento rigoroso tanto por parte das empresas quanto dos candidatos.
Especialistas em mobilidade internacional observam que o aumento nas solicitações não significa facilidade automática. O processo envolve certificação de escassez de trabalhadores locais, oferta de salário compatível com o mercado e cumprimento de regras rígidas de moradia e transporte no caso agrícola. Além disso, a tramitação depende de múltiplas etapas federais.
O debate político também acompanha o avanço da demanda. Parlamentares discutem ajustes no número de vistos H-2B disponíveis por ano, enquanto sindicatos argumentam que a ampliação de programas temporários pode pressionar salários em determinadas regiões. O tema costuma ganhar força à medida que se aproxima o pico das contratações.
Para quem considera essa alternativa, o momento é estratégico. Empresas começam a estruturar processos seletivos com meses de antecedência, e a concorrência internacional é intensa. México e países da América Central historicamente concentram grande parte das vagas agrícolas, enquanto o Brasil mantém participação mais modesta, porém estável, em programas específicos.
O cenário de 2026, portanto, combina oportunidade e disputa. A antecipação das contratações sinaliza confiança do setor produtivo na temporada que se aproxima. Ao mesmo tempo, reforça a necessidade de planejamento jurídico e documental rigoroso por parte de quem pretende ingressar no país por vias temporárias.
U.S. Department of Labor U.S. Citizenship and Immigration Services https://www.uscis.gov Relatórios públicos de certificação trabalhista 2025-2026
As informações sobre crescimento nas solicitações baseiam-se em dados públicos do Departamento do Trabalho e em padrões históricos de certificação. Os números consolidados de 2026 ainda estão em atualização, podendo sofrer ajustes. O teto anual do visto H-2B é definido por legislação federal vigente. Não foram utilizadas projeções não confirmadas.
Jorge Kubrusly é empresário e estrategista de negócios, com mais de 20 anos de experiência. Residente em Orlando desde 2019, fundou o Vou pra América com o propósito de colocar os brasileiros que moram ou desejam morar nos Estados Unidos no controle da própria jornada, oferecendo clareza, estratégia e autonomia para decisões importantes de vida e carreira.