Empresas brasileiras ampliam operações nos EUA e reforçam investimentos em projetos do tipo greenfield

Evento em Nova York destacou integração econômica entre Brasil e Estados Unidos
A Confederação Nacional da Indústria realizou, em Nova York, o Brasil U.S. Industry Day, encontro que integrou a programação da Brazilian Week e reuniu mais de 500 empresários, investidores e representantes do setor público.
A agenda incluiu debates sobre competitividade, investimentos e cooperação econômica entre Brasil e Estados Unidos, além de uma cerimônia de reconhecimento a lideranças e instituições que atuam no fortalecimento das relações bilaterais.
Entre os temas discutidos, um conceito ganhou destaque: os projetos greenfield, modalidade de investimento em que uma empresa cria uma operação do zero em outro país, sem adquirir negócios já existentes.
O que são os projetos greenfield
Diferentemente de uma aquisição ou fusão, o investimento greenfield envolve a construção completa da operação local.
Nesse modelo, a empresa precisa definir instalações, contratar funcionários, estruturar fornecedores, cumprir exigências regulatórias e estabelecer toda a infraestrutura necessária para o funcionamento do negócio.
Segundo materiais apresentados pela CNI, os Estados Unidos se consolidaram como o principal destino de investimentos brasileiros nesse formato. A entidade cita a implantação de 142 projetos greenfield entre 2013 e 2023.
O número reflete uma década de expansão da presença empresarial brasileira em território americano por meio de fábricas, centros de distribuição, escritórios e operações de serviços.
Investimentos brasileiros cresceram na última década
O avanço dos projetos greenfield ocorre em um cenário de aumento dos investimentos brasileiros nos Estados Unidos.
Dados divulgados pela CNI em julho de 2025 mostram que o estoque de investimentos brasileiros no país alcançou US$ 22,1 bilhões em 2024, crescimento de 52,3% em relação a 2014.
O levantamento aponta ainda que pelo menos 70 empresas brasileiras mantêm investimentos produtivos em 23 estados americanos.
Entre 2020 e 2024, foram anunciados mais de US$ 3,3 bilhões em novos projetos e operações.
Os números ajudam a explicar por que a expansão produtiva nos Estados Unidos deixou de ser uma estratégia restrita a grandes multinacionais e passou a ocupar espaço relevante na agenda institucional do setor industrial brasileiro.
Expansão movimenta cadeias locais de fornecedores
A abertura de operações do zero costuma gerar efeitos que vão além da instalação física da empresa.
Projetos greenfield normalmente exigem a contratação de mão de obra local, serviços especializados, logística, contabilidade, transporte, armazenagem e fornecedores de diferentes segmentos.
A chegada de novas unidades também pode alterar cadeias regionais de fornecimento, especialmente quando empresas passam a manter estoque, distribuição e atendimento diretamente em território americano.
Em muitos casos, a presença local reduz etapas de importação, encurta prazos de entrega e fortalece a relação com clientes e parceiros comerciais.
Crescimento do interesse exige atenção à qualidade das oportunidades
O aumento dos investimentos brasileiros nos Estados Unidos também ampliou a circulação de anúncios relacionados a vagas, parcerias e expansão empresarial.
Especialistas em mercado internacional observam que projetos estruturados costumam deixar registros públicos verificáveis, como anúncios corporativos, comunicados oficiais, processos de contratação e registros empresariais estaduais.
A expansão dos investimentos produtivos, por sua vez, não altera regras migratórias ou requisitos legais para contratação de trabalhadores, que continuam sujeitos às normas federais e estaduais vigentes.
Relação bilateral segue como eixo de expansão empresarial
As discussões realizadas durante o Brasil U.S. Industry Day reforçaram a importância crescente da relação econômica entre os dois países.
Com o avanço dos investimentos produtivos brasileiros nos Estados Unidos, a tendência é que novas operações continuem surgindo em diferentes regiões americanas, ampliando a presença empresarial brasileira em setores como indústria, logística, tecnologia, serviços e distribuição.
O crescimento dos projetos greenfield mostra uma mudança de estratégia de longo prazo: em vez de apenas exportar produtos, um número crescente de empresas brasileiras tem optado por estabelecer presença física e estrutura própria no mercado americano.
Jacy Abreu
Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.
Fontes e Créditos
As informações sobre o Brasil U.S. Industry Day foram obtidas em publicações da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e do Portal da Indústria. Os dados sobre investimentos brasileiros nos Estados Unidos foram divulgados pela CNI e repercutidos pela Agência Brasil. A informação sobre as 142 implantações greenfield entre 2013 e 2023 foi citada em materiais institucionais relacionados ao evento.
Transparência Editorial
Este texto foi produzido a partir de informações públicas e rastreáveis. Onde há números, eles foram atribuídos às fontes citadas. O conteúdo de serviço foi redigido como orientação prática geral e não substitui aconselhamento jurídico ou contábil individual.