El Niño já começou e pode ficar muito forte, diz NOAA

Jacy Abreu13 de junho de 2026Clima e Tempo
El Niño já começou e pode ficar muito forte, diz NOAA

NOAA confirma formação do El Niño

O El Niño já está em andamento e deve ganhar força nos próximos meses, segundo a National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), agência dos Estados Unidos responsável pelo monitoramento oceânico e atmosférico.

A formação do fenômeno foi confirmada em junho de 2026. A expectativa é que ele continue se intensificando até o inverno do Hemisfério Norte.

A previsão mais recente do Climate Prediction Center, órgão ligado à NOAA, aponta 63% de probabilidade de que o fenômeno atinja intensidade muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.

Segundo a agência, um evento dessa magnitude ficaria entre os maiores registrados desde o início da série histórica, em 1950.

Embora o termo “Super El Niño” tenha se popularizado, a classificação técnica adotada pela NOAA é “El Niño muito forte”. A agência ressalta que nem todos os eventos produzem os mesmos efeitos em todas as regiões, mas fenômenos mais intensos aumentam a probabilidade de ocorrência dos padrões climáticos normalmente associados ao El Niño.

O que é o El Niño

O El Niño ocorre quando as águas do Pacífico Equatorial ficam mais quentes do que a média.

Esse aquecimento altera a circulação atmosférica e influencia ventos, chuvas e temperaturas em diferentes partes do planeta.

A NOAA explica que o El Niño e a La Niña fazem parte do ciclo ENSO, uma variação natural do clima no Pacífico tropical que costuma alternar suas fases em intervalos de dois a sete anos.

Durante um episódio de El Niño, mudanças na circulação atmosférica afetam padrões climáticos em diferentes continentes.

No início de junho, a Organização Meteorológica Mundial já havia informado que existia 80% de probabilidade de formação do fenômeno entre junho e agosto de 2026.

A entidade também indicou que as chances de o El Niño permanecer ativo até pelo menos novembro estavam próximas ou acima de 90%.

O que pode mudar nos Estados Unidos

Os efeitos do El Niño costumam aparecer com mais clareza nos Estados Unidos entre outubro e março.

Segundo a NOAA, durante o inverno o padrão mais comum é a ocorrência de condições mais úmidas no Sul do país e temperaturas mais altas acompanhadas de clima mais seco em áreas do Norte.

Isso não significa que todos os estados enfrentarão eventos extremos.

Também não significa que uma enchente, tornado ou onda de calor específica tenha sido causada diretamente pelo fenômeno. Meteorologistas analisam cada evento individualmente, utilizando dados locais e condições atmosféricas de curto prazo.

O principal impacto do El Niño está na alteração das probabilidades climáticas.

Um episódio forte pode aumentar a chance de chuvas acima da média em partes do Sul dos Estados Unidos, influenciar tempestades durante o inverno, modificar padrões de seca e afetar temperaturas em diferentes regiões do país.

Sul dos EUA deve acompanhar chuva e alagamentos

Para brasileiros que vivem na Flórida, Texas, Geórgia, Louisiana e outros estados do Sul, a atenção deve estar voltada para episódios de chuva intensa, alagamentos urbanos, interrupções no transporte e problemas em imóveis.

Em casas e apartamentos alugados, infiltrações e mofo podem se transformar em problemas recorrentes caso não sejam documentados e comunicados formalmente ao proprietário.

Califórnia e Sudoeste podem ter inverno mais chuvoso

Na Califórnia e em partes do Sudoeste americano, o fenômeno pode favorecer períodos mais úmidos durante o inverno.

Em áreas com encostas, regiões afetadas por incêndios florestais anteriores ou locais com drenagem deficiente, chuvas intensas aumentam o risco de enxurradas, deslizamentos de lama e bloqueios de estradas.

Norte e Meio-Oeste não estão livres de impactos

Em parte do Norte e do Meio-Oeste, o padrão climático associado ao El Niño pode favorecer um inverno mais ameno.

Isso não elimina a possibilidade de tempestades ou outros eventos severos.

Brasileiros que vivem em Illinois, Massachusetts, Nova York, Nova Jersey, Pensilvânia e estados vizinhos devem continuar acompanhando os alertas meteorológicos locais, já que sistemas de chuva e oscilações de temperatura podem afetar deslocamentos, escolas e atividades de trabalho.

Como o fenômeno pode afetar o orçamento

Os efeitos do El Niño vão além da previsão do tempo.

Em períodos de calor intenso, o consumo de energia tende a aumentar devido ao uso mais frequente de aparelhos de ar-condicionado.

Já episódios de chuva forte podem provocar infiltrações, danos em veículos estacionados ao ar livre, perda de móveis e interrupções temporárias na atividade profissional.

Atenção ao seguro contra enchentes

Uma das questões mais importantes envolve a cobertura de seguros.

A Federal Emergency Management Agency (FEMA) informa que a maioria das apólices residenciais tradicionais nos Estados Unidos não cobre danos provocados por enchentes.

Nesses casos, o flood insurance costuma ser contratado separadamente.

A informação merece atenção especial de proprietários que acreditam estar protegidos contra qualquer tipo de dano causado por água.

Em muitos casos, o seguro residencial cobre determinados prejuízos internos, mas não cobre enchentes causadas por água que entra no imóvel a partir do exterior.

Quem mora de aluguel também deve revisar a cobertura do renters insurance.

Esse tipo de seguro pode proteger bens pessoais em algumas situações, mas possui limites e exclusões que precisam ser verificados antes da ocorrência de qualquer evento climático.

Os alertas que todo brasileiro deve entender

A preparação começa pelo celular.

Segundo a FEMA, os Wireless Emergency Alerts são mensagens enviadas por autoridades para telefones localizados em áreas sob risco.

Esses avisos podem alertar a população sobre tempestades severas, tornados, enchentes repentinas e outras ameaças imediatas.

Também é importante compreender a diferença entre os termos watch e warning.

De acordo com o National Weather Service, watch significa que existem condições favoráveis para a ocorrência de um evento perigoso.

Warning significa que o evento está acontecendo ou prestes a acontecer, exigindo ação imediata.

O que fazer durante um alerta

Em situações de tornado warning, a orientação é procurar abrigo imediatamente em um cômodo interno, preferencialmente no andar mais baixo possível e longe de janelas.

Para moradores de apartamentos, isso pode significar utilizar corredores internos, banheiros sem janela, escadas protegidas ou áreas comuns indicadas pelo edifício.

Em situações de enchente, a recomendação é não dirigir por ruas alagadas.

Água em movimento pode arrastar veículos e esconder buracos, fios, objetos e trechos danificados da via.

O que fazer agora

Brasileiros que vivem nos Estados Unidos devem acompanhar as previsões meteorológicas utilizando o ZIP code no National Weather Service, manter os alertas de emergência ativados no celular e revisar suas apólices de seguro residencial ou de aluguel.

Quem mora em áreas sujeitas a enchentes deve verificar se possui flood insurance ou se precisa solicitar uma cotação.

Moradores de imóveis alugados devem registrar infiltrações, rachaduras, vazamentos e sinais de mofo por meio de fotografias e manter toda a comunicação com o landlord por escrito, com datas e registros documentados.

Essa prática ajuda a formalizar pedidos de reparo e evita disputas sem comprovação.

Famílias com crianças devem confirmar se as escolas possuem contatos atualizados, já que distritos escolares podem alterar horários, antecipar saídas ou cancelar aulas em dias de clima severo.

Trabalhadores remunerados por hora, motoristas de aplicativo, entregadores, profissionais da limpeza, construção civil e jardinagem também devem acompanhar os alertas antes de sair de casa para evitar deslocamentos em condições perigosas.

O El Niño não é motivo para pânico. Mas a combinação de um fenômeno potencialmente muito forte com calor, chuvas intensas e vulnerabilidades locais exige preparação. Para brasileiros que vivem nos Estados Unidos, medidas simples como entender os alertas, revisar seguros, proteger documentos e acompanhar avisos oficiais podem fazer diferença quando o clima muda rapidamente.

Jacy Abreu

Jacy Abreu

Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.

Fontes e Créditos

Esta matéria foi produzida com base em boletim do Climate Prediction Center da NOAA, informações educativas da NOAA sobre El Niño, atualização da Organização Meteorológica Mundial, orientações da FEMA sobre seguro contra enchente e alertas de emergência, além de páginas do National Weather Service sobre alertas de tornado. A imagem indicada para a matéria deve ser creditada como Reprodução/NOAA.

Transparência Editorial

A matéria usa a expressão “El Niño muito forte” porque é a classificação mais segura com base no boletim da NOAA. O termo “Super El Niño” foi tratado como expressão popular, não como categoria técnica. O texto não atribui tornados ou tempestades específicas ao El Niño, porque esse tipo de relação exige análise meteorológica local. A apuração considera informações disponíveis em 12 de junho de 2026.

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