Documentário expõe golpe que vendia cidadania americana por até US$ 10 mil

O documentário Selling Citizenship, da KCRA 3, retomou o caso de Helaman Hansen, condenado por um esquema que prometia cidadania americana por meio de adoção de adultos. A Suprema Corte dos EUA registrou que não existe caminho para cidadania por “adult adoption” e que Hansen arrecadou quase US$ 2 milhões com a fraude.
O documentário Selling Citizenship, lançado pela KCRA 3 em maio de 2026, retomou o caso de um golpe que prometia cidadania americana a imigrantes por meio de adoção de adultos. A promessa não tinha respaldo na lei dos Estados Unidos.
O caso envolve Helaman Hansen, de Elk Grove, na Califórnia. Segundo o Departamento de Justiça dos EUA, ele foi condenado em 2017 por operar um esquema de fraude migratória que atingiu imigrantes sem status legal definido.
A fraude oferecia uma suposta rota para cidadania americana por “adult adoption”, termo usado para adoção de adultos. A Suprema Corte dos EUA afirmou, em decisão de 2023, que Hansen prometeu a centenas de não cidadãos um caminho para cidadania por esse método, mas que isso era um golpe. O tribunal também registrou que ele recebeu quase US$ 2 milhões com o esquema.
Como o golpe funcionava
De acordo com os registros do caso, Hansen orientava imigrantes a acreditar que poderiam obter cidadania se fossem adotados por cidadãos americanos e cumprissem outras etapas. A informação era falsa. Adoção de adultos pode existir para fins civis em alguns contextos, mas não transforma um imigrante em cidadão dos Estados Unidos.
O Departamento de Justiça informou que o júri condenou Hansen por 12 acusações de fraude postal, três de fraude eletrônica e duas de incentivo ou indução à imigração ilegal com ganho financeiro privado. Na sentença, ele recebeu pena de 20 anos de prisão e ordem de restituição de US$ 576.264.
O documentário da KCRA 3 afirma que as cobranças chegaram a mais de US$ 10 mil por pessoa. A emissora também informou que mais de 500 imigrantes teriam sido convencidos de que poderiam obter cidadania por esse caminho.
Por que brasileiros nos EUA devem prestar atenção
O caso é antigo, mas o alerta é atual. Golpes de imigração continuam explorando medo, urgência e falta de informação. A Federal Trade Commission orienta imigrantes a não buscar ajuda legal com notários, contadores ou consultores que não estejam autorizados a atuar em casos migratórios. A agência também alerta para o risco de assinar formulários em branco ou com informações falsas.
No Brasil, a palavra “cartório” ou “notário” tem outro peso. Nos Estados Unidos, um notary public não é advogado de imigração e não pode dar orientação jurídica migratória apenas por ter essa função. Essa diferença abre espaço para golpes contra recém-chegados, trabalhadores sem inglês fluente e famílias que querem regularizar a situação rapidamente.
A regra prática é direta: cidadania americana não é vendida por consultores, promessas privadas ou atalhos fora do sistema oficial. O USCIS é o órgão responsável por processar pedidos de imigração e naturalização nos EUA. Formulários oficiais do governo devem ser obtidos por canais oficiais, e orientação jurídica deve vir de advogado licenciado ou representante credenciado.
Quem recebeu promessa de cidadania rápida mediante pagamento deve guardar recibos, mensagens, contratos e comprovantes. Também deve buscar orientação com profissional habilitado antes de enviar novos formulários ou assinar documentos. Em casos de suspeita de fraude, a FTC aceita denúncias de golpes contra consumidores.
Jacy Abreu
Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.
Fontes e Créditos
Esta matéria foi produzida com base no documentário Selling Citizenship, da KCRA 3, na reportagem da KCRA 3 sobre o caso, na decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos em United States v. Hansen, em comunicados do Departamento de Justiça dos EUA, em orientações do USCIS e da Federal Trade Commission.
Transparência Editorial
O texto não afirma que o caso é “um dos golpes mais incomuns já registrados” como conclusão própria, porque essa comparação exigiria base estatística ampla. A matéria usa o documentário como gancho jornalístico e concentra a apuração em fontes oficiais, registros judiciais e orientações de prevenção. Até 26 de junho de 2026, as fontes consultadas confirmavam o esquema de adoção adulta, a condenação por fraude e a inexistência de cidadania americana por esse caminho.