
A dívida de cartão de crédito nos Estados Unidos alcançou US$ 1,13 trilhão no fim de 2023, maior nível já registrado, segundo o Federal Reserve Bank of New York. O aumento foi de US$ 50 bilhões em apenas um trimestre.
O avanço do endividamento ocorre ao mesmo tempo em que cresce o número de pessoas que não conseguem quitar a fatura integral. Um estudo recente da The Century Foundation aponta que mais de 100 milhões de americanos carregam saldo no cartão mês a mês, e cerca de 27 milhões pagam apenas o valor mínimo.
Na prática, isso significa entrar no rotativo. Com juros médios próximos de 20% ao ano, a dívida deixa de ser pontual e passa a se acumular rapidamente, mesmo sem novas compras.
O cenário reflete três pressões simultâneas. O custo de vida continua elevado em itens básicos como moradia, alimentação e seguro. As taxas de juros permanecem altas após o ciclo de aperto monetário conduzido pelo Federal Reserve. E, apesar do mercado de trabalho ainda aquecido, o poder de compra caiu, o que força muitas famílias a recorrer ao crédito para fechar o mês.
Esse comportamento começa a aparecer em sinais mais sensíveis. Há aumento no uso do limite total dos cartões, crescimento na abertura de novas linhas de crédito e maior dependência de modalidades como “compre agora, pague depois”. É um indicativo de que o consumo está sendo sustentado por dívida, não por renda.
O que isso impacta a vida nos EUA
Para quem vive nos Estados Unidos, o impacto vai além da fatura. O cartão de crédito é uma das principais bases do histórico financeiro no país, e qualquer desequilíbrio começa a aparecer rapidamente no credit score.
Quando o uso do limite ultrapassa cerca de 30% do total disponível, a pontuação já tende a cair. Se o pagamento mínimo vira rotina ou se há atraso, o impacto é ainda maior. E isso se traduz em custo real.
Com score mais baixo, o brasileiro paga mais caro para financiar um carro, enfrenta juros mais altos em qualquer empréstimo e pode ter dificuldade até para alugar um imóvel, já que muitos proprietários analisam o histórico de crédito antes de aprovar o contrato.
Há também um efeito indireto no dia a dia. Quem entra no rotativo passa a comprometer parte da renda futura com juros, reduz a capacidade de poupança e perde margem para lidar com emergências, envio de dinheiro ao Brasil ou planejamento de regularização migratória.
Como reagir diante desse cenário
O ponto de virada começa quando o cartão deixa de ser extensão da renda e volta a ser meio de pagamento. Quem já está com saldo acumulado precisa entender que pagar apenas o mínimo mantém a dívida ativa por anos.
A estratégia mais eficiente, nesse caso, é priorizar o pagamento das dívidas com juros mais altos, começando pelos cartões que cobram mais. Isso reduz o crescimento do saldo devedor no curto prazo.
Também é fundamental reduzir o uso do limite disponível. Mesmo sem atraso, utilizar quase todo o crédito disponível já prejudica o score. Em paralelo, negociar taxas com o banco ou buscar consolidação de dívida pode aliviar o custo total, dependendo do perfil.
Para quem ainda não entrou no rotativo, o alerta é preventivo. O cenário atual mostra que depender do cartão para despesas fixas virou um padrão comum, mas também perigoso. Qualquer desaceleração econômica ou perda de renda pode transformar um desequilíbrio temporário em dívida de longo prazo.
Federal Reserve Bank of New York (Relatório de crédito doméstico, 4º trimestre de 2023) The Century Foundation (Relatório sobre dívida de cartão de crédito nos EUA)
Os dados de endividamento total referem-se ao fechamento de 2023. Os números sobre comportamento de pagamento são baseados em estudos mais recentes disponíveis até 2025.
Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.