
A Copa do Mundo de 2026 abre em 11 de junho, no México, e termina em 19 de julho, na região de Nova York e Nova Jersey, nos Estados Unidos. Serão 48 seleções e 104 partidas em três países, com 16 cidades sede, o que deve empurrar milhões de viagens internacionais para um mesmo período.
Para o torcedor brasileiro, o primeiro gargalo não é passagem nem hotel. É a entrada nos Estados Unidos. Para acompanhar jogos em cidades americanas, o brasileiro precisa do visto de visitante B1/B2 e não existe “visto automático da Copa”. O processo é o mesmo de sempre: formulário DS-160, pagamento da taxa, agendamento e, na maioria dos casos, entrevista. O próprio Departamento de Estado reforça que a orientação é planejar com antecedência e consultar os tempos de espera oficiais.
O que muda em 2026 é a pressão sobre a agenda. A fila pode parecer administrável agora, mas o risco real é perder a janela quando as entrevistas ficarem escassas e a emissão do passaporte com visto não acompanhar o seu voo. Na última atualização do Departamento de Estado, com carimbo de 27 de março de 2026, os tempos estimados para entrevista de B1/B2 no Brasil variavam por cidade, indo de “menos de meio mês” no Rio de Janeiro e Recife até 2,5 meses em Porto Alegre, com São Paulo e Brasília em 1 mês.
Na prática, isso significa que ainda dá para tentar tirar o visto para a Copa, mas você precisa tratar o processo como um projeto com prazo. Quem deixa para “ver depois” costuma descobrir o problema tarde, quando só aparecem datas após o começo do torneio, ou quando um ajuste no calendário de trabalho e família exige remarcação e não há mais slots.
Há outro ponto que derruba viagens: a ideia de que o visto é um “checklist de documentos”. Não é. A entrevista é uma avaliação de elegibilidade, e o consulado pode negar quando o solicitante não convence sobre objetivo da viagem, capacidade de pagar os custos e intenção de retorno. Isso não é opinião nem dramatização. É como o sistema funciona, e por isso consistência pesa. O mesmo Departamento de Estado lembra que tempos de espera não incluem processamento administrativo, que pode existir em alguns casos, e que a decisão final é “emitir ou recusar”.
O que o torcedor faz agora, sem fantasia e sem truque: primeiro, coloca as datas do torneio na mesa e calcula sua margem. A Copa começa em 11 de junho. Se você pretende chegar antes para se deslocar entre cidades, sua janela real é ainda menor. Segundo, começa pelo que depende só de você, porque é isso que encurta o caminho. Preencher o DS-160 com calma e coerência, pagar a taxa e agendar a primeira entrevista disponível abre a porta para eventuais mudanças para datas anteriores quando o consulado libera novos horários. O próprio Departamento de Estado diz que os postos abrem vagas regularmente e recomenda checar de novo para antecipar a entrevista depois de agendar.
Terceiro, evita o erro que mais destrói uma viagem: comprar passagem não reembolsável contando com uma “força do destino” no consulado. Até existe a figura do pedido de entrevista antecipada em casos específicos, mas o governo lista situações urgentes e deixa claro que turismo de última hora não entra nessa categoria. Em linguagem simples, Copa não é argumento automático para acelerar entrevista.
E existe o que a FIFA e o governo americano chamaram de FIFA PASS, um sistema voluntário de prioridade de agendamento para entrevista nos EUA voltado a quem tem ingresso e enfrenta longas esperas. A regra importante, para não virar armadilha mental, é separar duas coisas: prioridade para tentar agendar e aprovação do visto. O FIFA PASS não é “visto da Copa” e não muda critérios de elegibilidade. A própria comunicação sobre o programa descreve o mecanismo como apoio de agenda, não como atalho de aprovação.
A parte de bolso vem logo em seguida. A Copa será espalhada por cidades como Miami, Los Angeles, Dallas, Atlanta, Boston, Filadélfia, Seattle e a região de Nova York e Nova Jersey, além de Toronto e Vancouver no Canadá e Cidade do México, Guadalajara e Monterrey no México. Isso encarece deslocamento interno e aumenta o risco de você depender de conexões e voos domésticos no pico do verão.
O que fazer para não perder dinheiro e não ficar refém do calendário é alinhar o visto ao resto do planejamento. Se a sua ideia é ver mais de um jogo, monte o roteiro em blocos, com uma cidade base, e só avance para compras maiores quando sua entrevista estiver marcada e a chance de emissão antes da viagem for realista. Se você está mirando também Canadá e México, trate cada fronteira como um processo separado, com regra própria de entrada para brasileiro, porque um visto americano não resolve automaticamente o restante do roteiro.
Departamento de Estado dos EUA, páginas de tempos de espera para entrevista e orientação sobre agendamento e processamento (atualização mensal). FIFA, comunicações sobre a Copa de 2026 e referência ao FIFA PASS. Lista de cidades sede e calendário base do torneio, conforme compilações públicas amplamente reproduzidas.
Esta matéria foi escrita a partir de dados públicos verificáveis. O portal não publica promessa de aprovação de visto, não oferece “atalhos” e não usa opinião de terceiros para sustentar regra migratória. O ponto central é operacional: o visto continua obrigatório e o risco principal para o torcedor é perder a janela por fila, inconsistência no pedido ou tempo de processamento, que pode variar por caso.
Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.