
Declarações repercutem no Brasil e ganham dimensão política
Paolo Zampolli, empresário italiano ligado ao círculo político de Donald Trump e atual enviado especial para assuntos globais do governo americano, provocou forte repercussão internacional após fazer declarações ofensivas sobre mulheres brasileiras durante entrevista à emissora italiana RAI.
Ao comentar conflitos envolvendo sua ex-mulher, a ex-modelo brasileira Amanda Ungaro, com quem foi casado por quase duas décadas, Zampolli afirmou que “as mulheres brasileiras são programadas para causar confusão”. Durante a entrevista, ele também utilizou expressões depreciativas e generalizações contra brasileiras, incluindo insultos que foram amplamente criticados como xenófobos e misóginos.
Segundo veículos brasileiros e internacionais, as falas ocorreram enquanto ele comentava a disputa judicial pela guarda do filho do ex-casal e desentendimentos envolvendo pessoas próximas à ex-esposa. Amanda Ungaro também já fez acusações públicas contra Zampolli relacionadas a violência e abuso emocional, o que ampliou ainda mais a repercussão do caso.
Os trechos circularam rapidamente em vídeos e recortes nas redes sociais e passaram a ser reproduzidos por veículos de imprensa no Brasil, transformando o episódio em um debate mais amplo sobre misoginia, xenoffia e o tratamento destinado a mulheres brasileiras no exterior.
Além da repercussão pessoal, o nome de Zampolli voltou ao noticiário internacional por outro motivo recente: sua tentativa de articulação junto à Fifa para retirar o Irã da Copa do Mundo de 2026 e substituir a seleção iraniana pela Itália. A proposta não avançou e foi rejeitada, mas reforçou sua exposição política e sua proximidade com o entorno de Trump.
Janja, Simone Tebet e outras mulheres reagem às declarações
A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, foi uma das primeiras autoridades brasileiras a se manifestar publicamente sobre o caso. Em publicação nas redes sociais, ela afirmou ser “impossível não se indignar” diante das falas dirigidas a meninas e mulheres brasileiras e classificou o episódio como mais uma demonstração de misoginia e desrespeito.
A ex-ministra do Planejamento e Orçamento e pré-candidata ao Senado por São Paulo, Simone Tebet (PSB), também reagiu com dureza. Tebet afirmou que Paolo Zampolli precisa fazer um pedido público de desculpas às mulheres brasileiras e criticou o fato de um representante ligado ao governo americano utilizar esse tipo de linguagem.
Segundo a parlamentar, declarações como essa ultrapassam o campo da ofensa individual e atingem diretamente a imagem de milhões de brasileiras, reforçando estigmas antigos e preconceitos historicamente associados às mulheres do país no cenário internacional.
Outras mulheres públicas, influenciadoras e lideranças também comentaram o episódio. Nas redes sociais, a reação foi marcada por críticas à naturalização desse tipo de fala, especialmente quando parte de figuras com influência política, econômica e diplomática.
Muitas manifestações destacaram que o problema não está apenas na agressão verbal em si, mas na repetição de uma visão estereotipada que associa brasileiras a sexualização, desordem e inferiorização social. Para especialistas e ativistas, esse tipo de discurso ajuda a legitimar situações de assédio, discriminação e tratamento desigual.
A repercussão ampliou o debate sobre discursos discriminatórios envolvendo brasileiras no exterior e sobre como esse tipo de narrativa pode afetar especialmente mulheres imigrantes, que já enfrentam contextos de maior vulnerabilidade jurídica, econômica e social.
Público (24.abr.2026): Brasileiras são “raça maldita”, programadas para confusão, diz conselheiro de Trump CNN Brasil (23.abr.2026): “Brasileiras são programadas para criar confusão”, diz enviado de Trump Poder360 (24.abr.2026): “Impossível não se indignar”, diz Janja sobre falas de aliado de Trump InfoMoney (24.abr.2026): Conselheiro de Trump chama brasileiras de “raça maldita”
Esta matéria foi produzida com base na cobertura de veículos jornalísticos que atribuem as declarações a uma entrevista concedida à emissora italiana RAI. O portal optou por não reproduzir integralmente os insultos para evitar a amplificação de violência verbal. Até a publicação desta reportagem, não foi localizado posicionamento oficial da Casa Branca ou resposta institucional formal sobre as falas de Paolo Zampolli em fontes abertas verificáveis. As informações centrais foram mantidas com base em múltiplas fontes convergentes e com atribuição explícita dos fatos.
Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.