Ciência agrícola e alimentos devem manter milhares de oportunidades de trabalho nos EUA na próxima década

Os Estados Unidos devem continuar contratando profissionais ligados à ciência agrícola e de alimentos ao longo da próxima década. Projeções do Bureau of Labor Statistics (BLS) apontam cerca de 3.100 aberturas anuais para Agricultural and Food Scientists entre 2024 e 2034, além de aproximadamente 6.100 vagas por ano para Agricultural and Food Science Technicians.
Os números não representam uma escassez imediata de trabalhadores. Segundo a metodologia do BLS, as projeções incluem tanto novas posições quanto vagas abertas pela saída de profissionais do mercado, seja por aposentadoria, mudança de carreira ou outros fatores.
Um setor que movimenta mais de US$ 1,5 trilhão
A força econômica da cadeia agroalimentar ajuda a explicar a demanda contínua por profissionais especializados.
Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mostram que o conjunto formado por agricultura, alimentos e atividades relacionadas respondeu por cerca de US$ 1,537 trilhão da economia americana em 2023. O volume correspondeu a aproximadamente 5,5% do Produto Interno Bruto do país.
O número inclui muito mais do que a produção agrícola. Fazem parte dessa estrutura atividades de pesquisa, processamento de alimentos, controle de qualidade, logística, desenvolvimento tecnológico e serviços ligados ao setor.
Onde a agronomia aparece no mercado americano
Uma das diferenças entre Brasil e Estados Unidos está na forma como as profissões são classificadas.
Enquanto a formação em agronomia costuma reunir diversas funções sob uma mesma denominação, o mercado americano opera por famílias ocupacionais mais específicas.
O termo "Agronomist" aparece associado principalmente à área de Soil and Plant Scientists, voltada para produtividade agrícola, manejo de culturas, fertilidade do solo e pesquisa vegetal.
Já profissionais ligados ao desenvolvimento de alimentos costumam ser enquadrados em categorias como Food Scientists and Technologists. Em laboratórios e rotinas operacionais, as funções normalmente aparecem dentro da classificação Agricultural and Food Science Technicians.
Essa divisão influencia diretamente processos de recrutamento, salários e exigências profissionais.
Salários variam conforme a especialização
Entre os profissionais classificados pelo BLS como Agricultural and Food Scientists, o salário mediano anual alcançou US$ 78.770 em maio de 2024.
Os rendimentos mudam conforme a especialidade. Food Scientists and Technologists registraram mediana anual de US$ 85.310. Animal Scientists tiveram mediana de US$ 79.120. Já Soil and Plant Scientists alcançaram US$ 71.410.
Nas funções técnicas, os salários medianos foram de US$ 46.790 para Agricultural Technicians e de US$ 49.430 para Food Science Technicians.
Pesquisa, alimentos, laboratórios e tecnologia
As oportunidades projetadas pelo governo americano estão distribuídas em diferentes segmentos da cadeia produtiva. Uma parte do mercado concentra profissionais voltados para produção vegetal, fertilidade, manejo agrícola e pesquisa aplicada ao campo. Outra parcela atua na indústria de alimentos, em áreas ligadas à segurança alimentar, desenvolvimento de produtos e processos industriais.
Laboratórios, testes de qualidade, análise de amostras e controle regulatório também aparecem entre os segmentos que demandam mão de obra especializada.
Ao mesmo tempo, o avanço de tecnologias voltadas para agricultura de precisão, automação e análise de dados amplia o espaço para profissionais com perfil híbrido entre agronegócio e tecnologia.
O que os números mostram para a próxima década
As projeções do Bureau of Labor Statistics indicam que a ciência agrícola e de alimentos continuará ocupando espaço relevante dentro da economia americana até 2034.
Mais do que uma atividade associada exclusivamente ao campo, o setor reúne pesquisa científica, inovação tecnológica, indústria alimentícia e operações laboratoriais que sustentam uma das maiores cadeias produtivas dos Estados Unidos.
Nesse cenário, a demanda projetada reflete a necessidade contínua de profissionais capazes de atuar em áreas cada vez mais conectadas entre produção, ciência e tecnologia.
Jacy Abreu
Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.
Fontes e Créditos
Bureau of Labor Statistics, Occupational Outlook Handbook, páginas de Agricultural and Food Scientists e Agricultural and Food Science Technicians; O NET OnLine, resumo de Soil and Plant Scientists; USDA Economic Research Service, Charting the Essentials, Ag and Food Sectors and the Economy. Links: BLS: Agricultural and Food Scientists, BLS: Agricultural and Food Science Technicians, O NET: Soil and Plant Scientists, USDA ERS: Ag and Food Sectors and the Economy
Transparência Editorial
Esta matéria foi escrita como jornalismo de serviço. Os dados numéricos de projeção e salários foram retirados de páginas oficiais do BLS e do USDA ERS. Termos como “valor imigratório” foram tratados como hipótese de estratégia, não como promessa de visto. Conteúdos migratórios foram descritos em nível informativo e dependem de análise individual e fontes oficiais.