Câmara aprova horário de verão permanente nos EUA e projeto avança para o Senado

A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou, em 14 de julho, um projeto que torna permanente o horário de verão e elimina a mudança dos relógios duas vezes por ano. O texto recebeu 308 votos favoráveis e 117 contrários e agora aguarda análise do Senado.
A proposta, chamada Sunshine Protection Act, não virou lei. Até a publicação desta matéria, os americanos devem continuar seguindo as regras atuais. Nos estados que adotam o horário de verão, os relógios avançam uma hora no segundo domingo de março e retornam ao horário padrão no primeiro domingo de novembro.
Se o Senado aprovar o texto e o presidente sancioná-lo, a mudança semestral deixará de existir nos locais abrangidos pela nova regra. O horário que ficaria permanente seria o Daylight Saving Time, equivalente ao horário de verão americano, e não o horário padrão de inverno.
O que exatamente a Câmara aprovou
O projeto H.R. 139 determina que o horário de verão passe a funcionar como padrão permanente. Na prática, cidades que hoje alternam entre horário padrão e horário de verão deixariam de atrasar os relógios no outono e adiantá-los novamente na primavera.
A votação teve apoio dos dois partidos. O presidente do Comitê de Energia e Comércio da Câmara, Brett Guthrie, afirmou após a aprovação que espera agora a análise do Senado. O projeto havia passado anteriormente pelo comitê por 48 votos a 1.
O ponto mais importante para quem mora nos Estados Unidos é este: nenhum relógio deve ser alterado agora por causa da votação da Câmara. O processo legislativo ainda não terminou.
O Departamento de Transportes dos Estados Unidos informa que, sob a legislação atual, estados podem optar por não adotar o horário de verão. Eles não podem, porém, decidir sozinhos permanecer permanentemente no horário de verão. Uma alteração federal é necessária para permitir essa mudança.
Arizona e Havaí têm situação diferente
Havaí e a maior parte do Arizona já não adotam o horário de verão. Também estão fora da mudança semestral territórios como Porto Rico, Guam, Samoa Americana, Ilhas Virgens Americanas e Ilhas Marianas do Norte.
A legislação permite que estados permaneçam no horário padrão em determinadas condições. Isso significa que o fim da troca de relógios não necessariamente produziria uma regra idêntica para todos os lugares do país.
Para brasileiros que viajam ou trabalham com pessoas em diferentes estados americanos, essa exceção continua importante. Phoenix, por exemplo, não deve ser tratada automaticamente como Los Angeles apenas porque ambas ficam no oeste dos Estados Unidos.
Como isso mexeria com a diferença de horário entre Brasil e EUA
Aqui está uma das consequências mais práticas para brasileiros que mantêm rotina entre os dois países.
O horário oficial de Brasília corresponde a UTC menos 3 horas, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia.
Nos Estados Unidos, durante o horário de verão, o fuso do Leste fica em UTC menos 4 horas. O Central fica em UTC menos 5, o Mountain em UTC menos 6 e o Pacific em UTC menos 7. Esses são os deslocamentos informados pelo National Institute of Standards and Technology.
Se o horário de verão se tornar permanente e Brasília continuar em UTC menos 3, cidades como Miami, Orlando, Nova York e Boston ficariam uma hora atrás de Brasília durante todo o ano, dentro das regras atuais desses fusos.
Dallas, no fuso Central, ficaria duas horas atrás. Los Angeles, no Pacific, ficaria quatro horas atrás.
Hoje, essas diferenças mudam quando os Estados Unidos entram ou saem do horário de verão. É justamente essa variação que desapareceria para cidades abrangidas pelo horário permanente.
Para quem trabalha remotamente para uma empresa brasileira, atende clientes no Brasil ou participa de reuniões nos dois países, isso reduziria um tipo frequente de confusão de agenda.
Voos e compromissos precisam de atenção
Uma eventual mudança na lei não altera a duração física de um voo, mas muda a relação entre os horários locais exibidos na partida e na chegada.
Bilhetes aéreos usam o horário local de cada aeroporto. Por isso, brasileiros que viajam entre os dois países devem continuar conferindo o horário indicado pela companhia aérea, especialmente em conexões e viagens marcadas próximas a uma eventual transição da legislação.
O mesmo vale para consultas médicas, audiências, reuniões, aulas online e compromissos profissionais. Aplicativos costumam converter fusos automaticamente, mas agendas criadas manualmente podem gerar erro quando alguém presume que a diferença entre Brasil e Estados Unidos é sempre a mesma.
Por que o projeto ainda pode enfrentar resistência
A aprovação na Câmara não garante aprovação no Senado.
A senadora republicana Shelley Moore Capito, da Virgínia Ocidental, declarou em julho que ainda avaliava a proposta e levantou preocupação com crianças indo à escola antes do nascer do sol durante o inverno.
O senador Tom Cotton, do Arkansas, também já se posicionou contra tornar o horário de verão permanente. Em discurso no Senado, ele citou a experiência americana de 1974, quando o país adotou temporariamente o horário de verão durante o inverno e enfrentou forte reação pública relacionada às manhãs escuras.
O debate, portanto, não é apenas sobre deixar de mexer no relógio. Existe também uma disputa sobre qual horário deveria permanecer durante todo o ano.
O que o brasileiro precisa fazer agora
Nada muda imediatamente na rotina.
Quem mora nos Estados Unidos deve continuar seguindo o horário oficial do estado onde vive e as datas federais atualmente em vigor. A votação da Câmara, sozinha, não cancela a próxima mudança prevista pelo sistema atual.
Para quem trabalha ou mantém compromissos entre Brasil e Estados Unidos, vale acompanhar a tramitação no Senado antes de reorganizar agendas permanentes. Se o projeto virar lei, a diferença entre Brasília e várias das principais cidades americanas poderá deixar de variar ao longo do ano.
Jacy Abreu
Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.
Fontes e Créditos
A apuração consultou o Comitê de Energia e Comércio da Câmara dos Representantes, o Departamento de Transportes dos Estados Unidos, o National Institute of Standards and Technology, o Instituto Nacional de Meteorologia, registros legislativos federais e reportagens da Reuters.
Transparência Editorial
Esta matéria foi verificada em 16 de agosto de 2026. A aprovação pela Câmara está confirmada. O Sunshine Protection Act ainda não é lei e continua dependendo da tramitação no Senado e das etapas posteriores do processo legislativo. As diferenças de horário apresentadas no texto são calculadas a partir dos fusos oficiais publicados por órgãos dos Estados Unidos e do horário oficial de Brasília. A matéria será atualizada se houver nova votação ou mudança no status do projeto.