
© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
O Ministério da Fazenda anunciou na sexta-feira (10) um acordo entre a Receita Federal e o U.S. Customs and Border Protection (CBP) para combater o tráfico internacional de armas e drogas. A cooperação prevê troca direta de informações e operações coordenadas em cargas e remessas.
O projeto foi batizado de Mutual Interdiction Team (MIT) e integra ações de inteligência entre os dois países. A proposta é atuar não só no destino das mercadorias, mas também na origem, com identificação antecipada de remessas suspeitas.
Segundo o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, a agenda começou a ser estruturada em janeiro de 2026, após uma visita técnica a Foz do Iguaçu. A região da Tríplice Fronteira aparece como um dos pontos de atenção no mapeamento de rotas.
Como funciona o sistema de rastreamento
O principal instrumento do acordo é o Programa DESARMA, sistema criado pela Receita Federal para organizar e compartilhar dados de apreensões. A plataforma reúne informações sobre armas, munições, peças e outros materiais classificados como sensíveis.
A proposta é permitir troca estruturada de dados entre Brasil e Estados Unidos sempre que forem identificados itens com origem no outro país. Isso inclui também o fluxo inverso, quando autoridades americanas detectarem materiais ligados ao Brasil.
O sistema registra tipo de material, origem declarada, dados logísticos e identificadores como números de série. Também pode incluir informações sobre exportadores e remetentes, dentro dos limites legais e com controle de sigilo.
Base legal e aplicação
O compartilhamento de dados foi autorizado pela Portaria RFB nº 663/26. O modelo poderá ser aplicado em portos, aeroportos, remessas internacionais e operações específicas de fiscalização.
Números recentes de apreensões
Dados apresentados pelo governo mostram que, nos últimos 12 meses, houve 35 ocorrências com apreensão de 1.168 partes de armamento, somando cerca de 550 quilos. Parte desses envios foi declarada como originária da Flórida e utilizava documentação fraudulenta ou ocultação de conteúdo.
No Aeroporto de Guarulhos, as apreensões de drogas saltaram de 89 quilos em 2024 para 1.562 quilos apenas nos três primeiros meses de 2026. O governo atribui o aumento à mudança no perfil do tráfico, com maior uso de cargas em vez de transporte individual.
*O que muda na prática
O anúncio não cria novas regras para viajantes. O foco está na integração entre sistemas de fiscalização e no cruzamento de dados sobre cargas e remessas.
A tendência, segundo o governo, é de maior coordenação entre as aduanas quando houver indícios de fraude documental, inconsistências ou padrões recorrentes entre remetentes e destinatários.
Agência Brasil, reportagem de Pedro Peduzzi, publicada em 10/04/2026 Ministério da Fazenda, página institucional publicada em 10/04/2026
O conteúdo foi produzido com base em comunicado oficial do governo federal e reportagem da Agência Brasil. Os dados apresentados estão restritos às informações divulgadas publicamente. O funcionamento detalhado do compartilhamento em tempo real não foi especificado pelas autoridades.
Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.