Au pair nos EUA recebe a partir de US$ 195 por semana, mas tem moradia e alimentação incluídas

Jacy Abreu7 de julho de 2026Trabalho
Au pair nos EUA recebe a partir de US$ 195 por semana, mas tem moradia e alimentação incluídas

Brasileiras que vão aos Estados Unidos como au pair recebem pelo menos US$ 195,75 por semana. O valor é pago pela família anfitriã, mas não funciona como salário comum. Ele faz parte de um programa de intercâmbio cultural regulado pelo visto J-1.

Pelas regras federais, a au pair pode cuidar de crianças por até 10 horas por dia e até 45 horas por semana. A família anfitriã também deve permitir que a participante cumpra o componente educacional do programa e ajude no pagamento de cursos exigidos. (ecfr.gov)

O mínimo semanal de US$ 195,75 tem relação direta com o salário mínimo federal americano, atualmente em US$ 7,25 por hora. Esse valor está em vigor desde 24 de julho de 2009. (dol.gov)

Por que o pagamento é chamado de estipêndio?

O termo mais adequado é estipêndio. Na prática, a au pair recebe uma quantia semanal para despesas pessoais, mas participa de um programa de intercâmbio, não de um emprego aberto no mercado americano.

Essa diferença muda tudo. A brasileira que entra como au pair não pode aceitar trabalho por fora para aumentar a renda. O visto J-1 autoriza a participação no programa específico, com atividades ligadas ao cuidado das crianças da família anfitriã. Qualquer trabalho fora desse acordo pode violar as condições do visto.

O valor semanal também precisa ser lido junto com os benefícios. A família anfitriã oferece moradia e refeições. Para quem vive nos Estados Unidos, aluguel e alimentação estão entre os gastos mais pesados do mês. A au pair não paga essas despesas principais, mas ainda precisa organizar o próprio orçamento.

US$ 195,75 por semana representam cerca de US$ 848 por mês em um mês médio. Se a agência ou a família pagarem US$ 215 por semana, como informado no insumo da AuPairCare, o valor chega a cerca de US$ 931 por mês.

Esse dinheiro pode cobrir gastos pessoais, transporte eventual, lazer, roupas, produtos de higiene, parte de cursos e pequenas viagens. Não deve ser tratado como renda suficiente para sustentar família no Brasil ou formar uma grande reserva financeira.

O que a família anfitriã deve oferecer?

O programa exige componente educacional. O Departamento de Estado informa que a família anfitriã deve facilitar a matrícula e pagar até US$ 500 em custos acadêmicos, conforme as regras aplicáveis ao programa. (j1visa.state.gov)

Esse detalhe costuma passar despercebido. Muitas candidatas olham primeiro para o valor semanal, mas a experiência real inclui moradia, refeições, curso, convivência com uma família americana e imersão no país.

Antes de fechar o match, a brasileira precisa perguntar como será a rotina. É importante saber se haverá carro disponível, como funcionará o transporte, quais serão os dias de folga, como o pagamento será feito e qual será a expectativa da família em relação aos horários.

Também é preciso separar cuidado infantil de serviço doméstico geral. A au pair pode executar tarefas relacionadas às crianças, como preparar refeições infantis, organizar roupas delas e manter os espaços infantis em ordem. Ela não deve ser tratada como faxineira da casa inteira, cuidadora de idosos ou empregada doméstica sem limite de função.

O valor pode ser maior?

Pode, mas isso não é garantido. Algumas agências ou famílias oferecem valores acima do mínimo federal para atrair candidatas com mais experiência, disponibilidade específica ou perfil mais procurado.

O insumo recebido cita uma política da AuPairCare de estipêndio mínimo de US$ 215 por semana para suas participantes. Essa informação deve ser entendida como condição da agência citada, não como piso federal para todas as au pairs.

A pergunta mais importante, portanto, não é apenas quanto a candidata vai receber. Ela deve perguntar quais despesas estarão cobertas, qual será a carga horária, como serão as folgas, quem pagará o transporte, como funcionarão os cursos e qual será o procedimento se a convivência com a família não der certo.

Mesmo quando há pagamento acima do mínimo, os limites do programa continuam os mesmos. Um valor maior não autoriza jornada acima de 45 horas semanais nem tarefas fora do cuidado infantil.

Au pair paga imposto nos EUA?

Sim. O IRS, órgão fiscal americano, informa que os valores pagos a au pairs entram na renda bruta da participante e devem ser declarados no imposto de renda dos Estados Unidos. Como o pagamento é feito por serviço doméstico em residência privada, a família anfitriã normalmente não é obrigada a reter imposto de renda nem emitir os mesmos formulários usados em empregos tradicionais. (irs.gov)

Na prática, a au pair precisa se preparar. O erro comum é gastar todo o estipêndio durante o ano e só descobrir na época da declaração que existe imposto a pagar.

Brasileiras devem ter atenção ao status fiscal. Muitas au pairs declaram como não residentes, usando formulário específico para estrangeiros, mas a situação pode mudar conforme o tempo de presença nos EUA e o histórico migratório. Em caso de dúvida, o caminho mais seguro é buscar um preparador de impostos familiarizado com visto J-1.

O que conferir antes de aceitar uma família?

A candidata deve pedir detalhes da rotina antes de fechar o match. O acordo precisa deixar claro quantas crianças serão cuidadas, quais horários serão exigidos, se haverá trabalho aos fins de semana, como será o quarto, qual transporte estará disponível e como a família lida com mudanças de agenda.

O orçamento também deve ser feito antes do embarque. Mesmo sem aluguel e alimentação, a au pair terá gastos com celular, produtos pessoais, remédios, roupas de inverno, passeios, deslocamentos e eventual complementação de cursos.

Para quem pretende enviar dinheiro ao Brasil, a conta precisa ser realista. O programa pode ajudar na experiência internacional, no inglês e na adaptação à cultura americana, mas não foi criado como uma forma rápida de ganhar dinheiro.

Au pair pode ser uma porta de entrada organizada para viver nos EUA dentro de um programa legal. Mas a permanência depende do cumprimento das regras. A brasileira deve comparar agências, ler o contrato, confirmar se a sponsor é autorizada, guardar registros de pagamento e desconfiar de promessas fora das condições do visto J-1.

A experiência tende a funcionar melhor quando a candidata entende exatamente o que está assinando. Quando ela embarca achando que terá um emprego comum nos Estados Unidos, o risco aumenta.

Jacy Abreu

Jacy Abreu

Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.

Fontes e Créditos

Esta matéria foi produzida com base em regulamentos federais do programa J-1 Au Pair, informações do eCFR sobre limites de jornada e regras do programa, dados do Departamento do Trabalho dos EUA sobre salário mínimo federal, orientação do IRS sobre tributação de au pairs e insumo editorial fornecido à redação sobre remuneração no programa AuPairCare. (ecfr.gov)

Transparência Editorial

O texto não reproduz a estrutura do insumo original e não adota linguagem promocional de agência. A informação sobre US$ 215 por semana foi tratada como política específica citada no material recebido, não como regra federal. O valor federal de referência, os limites de jornada, o componente educacional e a tributação foram checados em fontes oficiais americanas. Dados de custo de vida por cidade não foram incluídos porque exigiriam apuração própria com bases atualizadas.

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