68% dos empreendedores brasileiros chegam aos EUA sem rede de apoio, aponta pesquisa

Experiência empresarial não garante uma aterrissagem fácil nos Estados Unidos. Uma pesquisa da Endeavor em parceria com a Jumpstart mostrou que 68% dos empreendedores brasileiros entrevistados chegaram ao país sem familiares ou amigos próximos e precisaram reconstruir sua rede de relacionamentos.
O dado chama atenção porque a maioria não estava começando a empreender. Segundo o levantamento divulgado pelo Times Brasil, 79% já haviam fundado pelo menos uma empresa antes da mudança e 43% acumulavam duas ou mais experiências como fundadores.
O conhecimento atravessou a fronteira. Os contatos, não.
Essa diferença aparece no tempo necessário para criar novos vínculos. Para 50% dos participantes, formar uma rede social local levou mais de seis meses. Quando questionados sobre quem ajudou na chegada, 72% citaram a comunidade brasileira. Amigos que já viviam nos Estados Unidos apareceram para 40%, enquanto mentores e investidores foram mencionados por 24% e aceleradoras, por 16%. Um em cada cinco afirmou ter feito esse processo praticamente sozinho.
Por que uma rede local importa para quem está abrindo um negócio
A pesquisa não mediu se os empresários com menos conexões faturaram menos, cresceram mais devagar ou tiveram maior risco de fechar suas empresas. Portanto, não é possível afirmar que a falta de uma rede de apoio determina o sucesso ou o fracasso de um negócio.
Mas existem razões concretas para que essas relações tenham peso na operação.
Para quem chega a outro país, contatos locais podem encurtar o caminho até profissionais especializados, fornecedores, potenciais clientes, parceiros e pessoas que conhecem as regras e práticas daquele mercado. Também podem ajudar o empreendedor a descobrir organizações da própria indústria e identificar recursos empresariais disponíveis na cidade ou no estado onde pretende operar.
A própria U.S. Small Business Administration, agência federal voltada às pequenas empresas, mantém uma rede nacional de centros de desenvolvimento e mentores. Os Small Business Development Centers oferecem treinamento e aconselhamento para quem pretende iniciar ou expandir uma empresa. O programa SCORE conecta empresários a mentores voluntários e especialistas sem custo.
Em orientação publicada pela SBA, a agência destaca que um mentor também pode ajudar o empresário a ampliar sua rede, indicar contatos com conhecimento especializado e identificar grupos locais ou organizações do setor que possam ser úteis para o negócio.
Ou seja, a rede não precisa ser entendida apenas como uma lista de pessoas conhecidas. Para um empreendedor recém chegado, ela pode funcionar como uma fonte de informação sobre um mercado que ele ainda está aprendendo a navegar.
Experiência no Brasil não elimina os obstáculos nos EUA
O estudo da Endeavor ajuda a dimensionar essa diferença. A organização mapeou mais de 140 empreendedores brasileiros em sua pesquisa mais ampla sobre a diáspora de tecnologia nos Estados Unidos. O levantamento aponta concentração principalmente em grandes polos de inovação. Na base geral, 39% estão na Califórnia, 24% na Flórida e 13% em Nova York.
Na rodada de aproximadamente 60 brasileiros apresentada pelo Times Brasil, 71% dos negócios eram voltados a outras empresas, no modelo B2B. Tecnologia e SaaS respondiam por 43% dos participantes, enquanto inteligência artificial e machine learning apareciam em 36%.
É um recorte importante. Os números não representam automaticamente todos os empresários brasileiros nos Estados Unidos, como donos de restaurantes, empresas de construção, limpeza, comércio ou serviços pessoais. O levantamento retrata principalmente uma população de founders ligada a tecnologia e negócios escaláveis.
Ainda assim, alguns dos obstáculos encontrados vão além do setor.
Segundo a pesquisa, 40% dos entrevistados levaram mais de um ano para estabilizar sua situação de visto e 45% demoraram mais de um ano para construir histórico de crédito. No momento do levantamento, 96% já tinham conta bancária, mas apenas 67% afirmavam estar com a situação do visto resolvida.
A diferença mostra que constituir e colocar uma empresa em funcionamento envolve problemas distintos da adaptação migratória e financeira do fundador.
A imigração merece atenção especial. Ter ou abrir uma empresa nos Estados Unidos não deve ser confundido com autorização automática para trabalhar no país. O USCIS mantém diferentes caminhos migratórios para empreendedores estrangeiros, cada um com critérios próprios. A situação depende do status e da autorização aplicáveis ao caso individual.
Como chegar aos Estados Unidos menos dependente do improviso
O dado de que metade dos empresários levou mais de seis meses para formar uma rede local sugere que essa construção não precisa começar depois da mudança.
Um empreendedor que já definiu a cidade onde pretende instalar a operação pode pesquisar antecipadamente organizações do setor, programas empresariais, possíveis clientes e profissionais que serão necessários na fase inicial. Também pode procurar empresários brasileiros que atuem no mesmo mercado, sem limitar suas relações à comunidade brasileira.
A SBA permite localizar Small Business Development Centers e outros parceiros por região. Esses centros oferecem aconselhamento e treinamento para empresas novas e existentes. O SCORE também oferece mentoria presencial e online, o que permite iniciar conversas antes mesmo de determinados problemas aparecerem.
Outra mudança é tratar networking como parte do planejamento da empresa, e não como atividade social secundária. A própria SBA recomenda definir objetivos concretos para a construção de contatos, como encontrar potenciais clientes, fornecedores ou profissionais especializados, em vez de simplesmente acumular conexões.
Para o brasileiro que ainda está planejando a mudança, isso significa mapear não apenas onde morar ou quanto dinheiro levar. Também significa identificar quem poderá ajudar a responder questões que surgirão nos primeiros meses de operação.
Contador, advogado, mentor, empresário do mesmo setor, possíveis fornecedores e primeiros contatos comerciais podem fazer parte desse mapa antes do embarque.
A comunidade brasileira aparece como a primeira ponte
Um dos resultados mais claros da pesquisa é o papel dos próprios brasileiros que já vivem nos Estados Unidos. A comunidade foi citada por 72% dos entrevistados como fonte de sustentação na chegada, percentual superior ao de mentores, investidores e aceleradoras.
Isso não significa que o empresário deva construir um negócio restrito à comunidade brasileira. Para uma empresa que pretende vender para o mercado americano, integrar redes profissionais locais e contatos fora da diáspora também é parte do processo.
A comunidade pode, porém, funcionar como uma primeira ponte. Ela reúne pessoas que já passaram por problemas semelhantes e conhecem profissionais, bairros, práticas comerciais e serviços locais.
O desafio é transformar esse apoio inicial em uma rede mais ampla.
A pesquisa da Endeavor mostra justamente o tamanho dessa reconstrução. Muitos dos brasileiros entrevistados chegaram aos Estados Unidos sabendo empreender. O trabalho seguinte foi aprender com quem empreender, vender, negociar e resolver problemas em um mercado onde boa parte das relações que sustentavam suas empresas no Brasil havia ficado para trás.
Fontes e créditos
Esta matéria foi produzida a partir da pesquisa da Endeavor e Jumpstart divulgada com exclusividade pelo Times Brasil, do estudo Brazil Tech Diaspora in the United States, da Endeavor, e de informações oficiais da U.S. Small Business Administration e do U.S. Citizenship and Immigration Services.
Transparência editorial
O levantamento citado pelo Times Brasil ouviu em profundidade cerca de 60 brasileiros e foi realizado pela Endeavor em parceria com a Jumpstart, empresa que atua com processos de vistos e green cards para founders e executivos internacionais. Os resultados não devem ser interpretados como representação estatística de todos os empresários brasileiros nos Estados Unidos. A pesquisa também não mediu relação causal entre rede de apoio e faturamento, crescimento ou sobrevivência das empresas. As orientações práticas acrescentadas pelo Vou pra América foram apuradas separadamente em fontes oficiais americanas.
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68% dos empreendedores brasileiros chegam aos EUA sem rede de apoio
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Pesquisa mostra que 68% dos empreendedores brasileiros chegam aos EUA sem rede de apoio. Entenda por que conexões locais importam e como começar a construí-las.
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APROVADO PARA PUBLICAÇÃO. Fato central verificado, percentuais atribuídos à pesquisa original divulgada pelo Times Brasil, contexto da Endeavor confirmado e informações práticas complementares sustentadas por SBA e USCIS. A principal ressalva editorial é o tamanho e o perfil da amostra, explicitados no texto.
Legenda para Instagram
Empreendedores brasileiros nos EUA enfrentam um problema que experiência de negócio não resolve sozinha. Pesquisa da Endeavor e Jumpstart mostra que 68% chegaram ao país sem familiares ou amigos próximos e metade levou mais de seis meses para construir uma rede local. Para quem abre uma empresa, essas conexões podem ajudar a encontrar mentores, fornecedores, clientes e orientação especializada. 📲 Leia a matéria completa no voupraamerica.com #Empreendedorismo #BrasileirosNosEUA #Negócios #Networking #EstadosUnidos
Jacy Abreu
Redatora do portal Vou Para América, com cerca de 30 anos de experiência na área de Comunicação. Ao longo da carreira, atuou em grandes empresas de mídia como América Online e Editora Abril. Possui ampla experiência em produção de conteúdo jornalístico e institucional, coordenação de projetos de comunicação e planejamento editorial. É fundadora da Lumepress Comunicação, agência de assessoria de imprensa.
Fontes e Créditos
Esta matéria foi produzida a partir da pesquisa da Endeavor e Jumpstart divulgada com exclusividade pelo Times Brasil, do estudo Brazil Tech Diaspora in the United States, da Endeavor, e de informações oficiais da U.S. Small Business Administration e do U.S. Citizenship and Immigration Services.
Transparência Editorial
O levantamento citado pelo Times Brasil ouviu em profundidade cerca de 60 brasileiros e foi realizado pela Endeavor em parceria com a Jumpstart, empresa que atua com processos de vistos e green cards para founders e executivos internacionais. Os resultados não devem ser interpretados como representação estatística de todos os empresários brasileiros nos Estados Unidos. A pesquisa também não mediu relação causal entre rede de apoio e faturamento, crescimento ou sobrevivência das empresas. As orientações práticas acrescentadas pelo Vou pra América foram apuradas separadamente em fontes oficiais americanas.